Democracia… se eu vencer

Aqui, um capitão amedronta um povo empobrecido e desarmado

De vez em quando, uma e outra baixa patente do exército vocifera ataques às instituições democráticas e golpe militar à vista. Nos EUA, quando um militar vence as eleições democráticas, a exemplo do general Eisenhower no após- guerra, o presidente governa, respeitando as instituições democráticas e nem de longe encena lances ditatoriais.

Aqui, um irresponsável capitão arvorado em cientista tupiniquim, que mereceria a coroa de Rei da Cloroquina, fabrica a indústria do terror ao comunismo, amedronta um povo empobrecido e desarmado e faz do tapetão a sua estratégia de guerra: viva a democracia, desde que o vencedor seja eu.

Em 1964, também houve setores da Igreja que ingenuamente usaram o altar como fiadores de um golpe militar que enlutou o Brasil durante 21 anos, prendendo inocentes assassinando opositores ao regime ditatorial, fabricando desaparecidos e exilados,cassando mandatos de líderes populares legitimamente eleitos e torturando vítimas indefesas.

Ditadura nunca mais! Que jamais a violência e a opressão venham a ser instrumentos de um poder que fez do sangue derramado na bandeira do Brasil o sustentáculo de sua perfídia.


(*) Tadeu França
ex- deputado federal constituinte

Montagem s/ foto de Murilo Fonseca