O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (Ipplam), ligado à prefeitura, alugou, com dispensa de licitação, um imóvel representado por uma empresa pertencente ao deputado federal Ricardo Barros (PP), à sua mulher, conselheira de Itaipu Binacional Maria Aparecida Borghetti, e ao ex-presidente da Alcopar e assessor de Barros, José Adriano da Silva Dias. Todos compõem o quadro societário das empresas BB Corretora Ltda. e RC3 Incorporações Ltda. O valor estabeleido é de R$ 144 mil e seria temporário, enquanto o Ipplam reforma as salas comerciais que abriga o órgão originalmente. O Portal da Transparência não traz informações sobre o tempo em que o Ipplam ocupará o imóvel nem outros documentos, como o contrato.
O imóvel fica na avenida Tuiuti nº 368, Zona 35, e é conhecido por ter pertencido ao primeiro prefeito de Maringá, Innocente Villanova Junior. Parte do terreno foi vendida recentemente e, durante uma das gestões Silvio Barros II, houve desapropriação, no episódio da derrubada de uma canafístula centenária, depois que o município comprometeu-se a mantê-la, através de documento assinado com a Polícia Ambiental. A casa alugada por R$ 144 mil ao Ipplam era ocupada por Débora Kasprowicz, primeira mulher do líder do presidente Jair Bolsonaro na Câmara Federal, e que já não residiria mais na cidade. A matrícula do imóvel está em seu nome e ela se fez representar no processo pela empresa do ex-marido.
A BB Corretora Ltda. foi responsável pela exploração comercial do jogo final do Campeonato Paranaense de Futebol, em abril de 2014. O Estádio Regional Willie Davids recebeu um público maior que a capacidade do local, e muita gente ficou para o lado de fora. O Ministério Público foi acionado e a justiça condenou a empresa e a Sociedade Esportiva Alvorada Clube (Maringá FC) a indenizar por danos emergentes torcedores que compraram ingresso e não conseguiram assistir a partida. Além da venda de ingressos a mais, o jogo ficou conhecido pela exposição de publicidade oficial (à época Barros era secretário estadual) e o copinho de água vendido a R$ 5,00.
O processo de aluguel da casa foi iniciado em setembro e finalizado no dia 27 do mesmo mês, a cinco dias antes da eleição. É somente através do parecer assinado pelo subprocurador Felipe Santos Martins (cargo comissionado da Procuradoria-Geral do Município) que fica-se sabendo que a ocupação do imóvel será temporária. Ele deu ok ao processo de dispensa de licitação em 9 de setembro. Não há informações, no parecer, nem em todo o processo disponibilizado ao público, sobre a metragem das dependências do imóvel, nem qualquer tipo de avaliação imobiliária foi anexada. (Atualizada)
PS – Após a publicação, o prefeito anunciou a imediata revogação do processo e anunciou alterações na legislação sobre a autonomia do Ipplam (leia mais).