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O poder da doutrina

A doutrina tem poder sobre o doutrinaDO

Seja no campo da política, seja no da religião, a doutrina tem poder sobre o doutrinado, para o bem ou para o mal. Aprisiona a mente e torna cativo o espírito, fazendo o corpo agir, tantas vezes, de forma contrária ao próprio bom senso. Quem já leu Os Julgamentos de Nuremberg (M. Books) entende bem do assunto.

Clara Greenbaum, prisioneira do campo de trabalho forçado de Belsen, noroeste da Alemanha, em seu triste relato aponta o poder da doutrina sobre a mente dos prisioneiros. Com efeito, quando os portões do campo foram abertos para liberdade ninguém ousou sair correndo daquele ambiente de horror porque a liberdade amedrontava.

“Os prisioneiros”, diz Clara, “haviam sido tão doutrinados, que o pensamento de liberdade os aterrorizava”. Com suas mentes dominadas pela doutrina do cativeiro, homens e mulheres, ainda que vivendo sob total indignidade, não eram mais capazes de pensar noutro estilo de vida. O poder da doutrina impedia a razão de raciocinar, o espírito de refletir e o corpo de agir.

Diante daquele estado de apatia generalizada, prossegue Clara , não só corpos haviam sido aprisionados e torturados, além do limite da resistência, também o foram as mentes”.

Se existe a doutrina que impede os prisioneiros de saírem do campo de horror, não é menos verdadeiro que existe a doutrina que, agindo em sentido contrário, empurra para dentro dele, homens e mulheres que poderiam viver livre.

Se alguma semelhança há com fatos recentes, não é mera coincidência. É preciso ficar alerta quanto a todo e qualquer tipo de doutrina, política ou religiosa que negativamente atua sobre a mente, aprisionando seus adeptos.

Afinal, o medo da liberdade não deixa de ser um tipo de prisão.

Sobre este texto do meu amigo, Lutero Pereira, que assino ao lado direito, quero analisar, para concordar, o seguinte trecho: ‘Se há alguma semelhança com fatos recentes, não era mera coincidência’:

Não conseguia, eu, entender como podia tantos adeptos enxergar qualidades em um dos candidatos a presidente, que eu não via. Só poderia ser uma doutrinação, que teria aprisionado as mentes. Se o vitorioso fosse candidato A o Brasil iria se transformar nisso ou naquilo, diziam muitos. Se o B fosse o eleito, a situação ficaria pior, falavam outros.

De quem estou falando? Como sair da situação? O Brasil e os brasileiros são maiores que A ou B. Na política não é um salvador da pátria, nem um demônio capaz de nos levar ao inferno. Um presidente sozinho pode muito pouco. O congresso manda mais. O STF, apesar das falhas dos homens dos quais é composto, é um freio a barrar ditadores que queiram burlar a constituição. Nosso exército está vacinado e não embarcaria em uma aventura golpista. Estamos em 2022, e não em 1964.

O Planeta mudou, não há espaço para ditadores, ainda que parte da população não concorde com A ou B eleito. Melar o jogo depois de jogado é infantilidade de crianças de tenra idade.

E para concluir, as doutrinas extremistas., sejam de direita ou de esquerda são perigosas e tóxicas como o joio e separá-la do trigo nem sempre é tarefa fácil. Se há alguma semelhança com fatos recentes, não é mera coincidência.

Foto: Eva Bronzini

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