Bloqueios promovidos por caminhoneiros são golpistas?
Por VICTOR FARIA, no HojeMais Maringá:
Começo respondendo o título deste artigo: sim! Claro que são. Simples assim. Pode-se fazer o rodeio intelectual que quiser, mas a resposta continuará sendo a mesma. Veja: movimentos grevistas e paralisações são absolutamente legítimas, desde que lastreadas em uma reivindicação palatável. Não é o caso.
Começamos pela razão. Toda greve, manifestação, paralisação, piquete – chame do que quiser -, tem hora para começar e hora para terminar. O calendário se pauta pelas negociações. O que se tem, o que se deseja e o que é possível, afinal. Hoje, para essa paralisação acabar, o que é preciso?
Que um presidente eleito não assuma? Que o presidente atual faça uma manifestação pública dizendo que não concorda com o resultado e siga presidente? Qual a finalidade dessa manifestação?
Sim. O que eles querem é que não se respeite o que foi pactuado pelas urnas. E por assim pensarem, o movimento que se verifica nas rodovias é golpista. Isso significa que todos que lá estão são inescrupulosos agentes do caos? É claro que não! Uma minoria de gente mau-caráter está agindo com método e causando todo esse transtorno.
Em muitos dos pontos paralisados, não é facultado ao indivíduo parar ou não. Simplesmente param. É um movimento perigoso, calculado por mentecaptos, que se valem da boa-fé das pessoas. Não gostar do resultado das urnas é uma prerrogativa de cada um dos brasileiros. Não aceitar e não acatar a soberania popular é outra história.
A minoria de idiotas que promove esse tipo de arruaça, além de mau-caráter, é ignorante. Pedem, sem saber o que é, o uso do artigo 142 da Carta Magna. O que diz o artigo:
“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.
O uso do exército, hoje, seria, basicamente, para garantir o resultado das eleições e tirar esses bloqueios das estradas, garantindo, aí, sim, a lei e a ordem. São incapazes de fazer a matemática básica das leituras constitucionais. A ignorância, nesse caso, não é uma bênção, mas um crachá onde se expõem como completos imbecis.
Esses movimentos não são espontâneos. Esses movimentos não são democráticos. Esses movimentos não são republicanos. São, basicamente, a escória que sobrou de uma mentalidade baixa e sem compromisso com o que há de mais importante em uma democracia: o voto. Por assim serem, golpistas são.
Parem e escutem: as buzinas que ressoam pelas estradas são as mais fidedignas notas da sinfonia de horrores e ignorância. Não há tempo para golpistas. O Brasil tem pressa e não quer o fogo nas rodovias. Quer o fogo debaixo da panela, para que todos possamos comer de forma digna.
Foto: Reprodução/Agência Pública
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