Vão-se os bons

Ademar Gevaerd (1962-2022)

Fiquei triste dias atrás quando soube por esta coluna da internação de Ademar Gevaerd, maringaense que ficou conhecido nacional e internacionalmente por sua atuação na ufologia. Ele havia caído dentro de casa e sido internado em estado grave em Curitiba, onde morava. Agora, vem a notícia de sua morte.

Conheci Gevaerd na minha infância. Estudei com ele no terceiro ou no quarto ano do que então se chamava “Primário”, no Instituto Estadual de Educação, no centro de Maringá. Sentava-se exatamente na cadeira ao meu lado, na fila encostada nas janelas do lado esquerdo da sala de madeira onde ficávamos. Inteligente e simpático, sempre fazia desenhos muito bem-feitos de aviões e máquinas no caderno, somente com a caneta esferográfica e uma régua. Quando perguntado sobre estes esboços, sempre falava sobre avanços tecnológicos, propulsores, motores a jato, turbinas, velocidades supersônicas e outros assuntos complicados, incompreensíveis para mim e as outras crianças da sala. Seus interesses já estavam ligados à ciência e muito à frente de nós, garotos e garotas labutando para passar de ano com as matérias normais da escola.

Desde então, nunca mais tive contato com ele. Fui vê-lo novamente muitos anos depois, nas passarelas da UEM, ele fazendo engenharia e eu psicologia. Não me reconheceu. Não nos falamos na faculdade e nem nunca mais. Estávamos envolvidos com nossas vidas. Tinha notícias esparsas dele, que muitas vezes foi motivo de chacota por causa de seu trabalho na ufologia. Vez ou outra o reconhecia em entrevistas na TV para documentários sobre aparições de discos voadores e assuntos relacionados ao tema. Tinha se tornado uma referência no assunto, com visibilidade mundial, fazendo uma carreira de sucesso nesta área.

Buscando agora informações sobre ele na internet, fico sabendo que há alguns anos perdeu uma filha em um acidente de carro. Experimentou a tragédia infinita de perder um filho. Mas continuou a trabalhar. Assisti alguns vídeos mais recentes dele, em entrevistas e depoimentos, onde parecia debilitado e envelhecido, mas firme em suas convicções. Era uma boa alma. Que Deus, os discos voadores e os extraterrestes o recebam.


(*) Newton Chagas é jornalista

Foto: Redes sociais