Arrogância na formação do governo
Trechos da coluna de Merval Pereira, hoje em O Globo:
O PT não entendeu até agora o que aconteceu na eleição presidencial. Depois de ter sido derrotado em 2018 com um candidato “de raiz”, venceu desta vez por uma diferença ínfima tendo Lula como candidato. É claro que houve um uso abusivo da máquina pública, mas nada indica que Lula venceria se não tivesse o apoio de forças políticas de outras tendências.
O novo governo tem que dar motivos para que parte desse eleitorado que votou em Bolsonaro sem ser bolsonarista volte a acreditar no partido e em Lula. Para isso, precisa governar sem o radicalismo de grupos petistas, e sem a arrogância petista. Lula saiu do governo com 80% de aprovação, portanto muitos dessa metade que votou em Bolsonaro já gostou em algum momento do Lula. (…) A montagem do novo governo começa a demonstrar que o PT não mudou, apesar das sinalizações que demonstram que precisa mudar para unir o país.
Grupos antibolsonaristas que não são necessariamente do PT precisam ser contemplados nesse novo governo. É o caso da senadora Simone Tebet que, no segundo turno, foi fundamental para a vitória de Lula. (…) É uma mesquinharia do PT querer tudo para si num momento como esse, em que, mais que durante a campanha, está em jogo a democracia. Lula não pode esquecer da governabilidade, deve saber que seu governo não pode ser só de uma parte das forças políticas que o apoiaram. Se fizer um governo de esquerda e petista, vai impedir que pessoas que não são bolsonaristas olhem para ele com boa vontade.
Foto: Rogério Melo/PR
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