O rei está morto. E agora? Vida longa a quem?

Por volta das 15h desta quinta-feira morreu Pelé, o rei do futebol

Por VICTOR FARIA:

Certa vez, em Viena, dirigi-me a um bistrô para jantar. Ao entrar no estabelecimento, eu teci algumas poucas palavras em inglês com o garçom. Ao perceber a minha pronúncia enferrujada – para não dizer desajeitada -, ele me perguntou “de onde você é?”. Quando eu disse ser brasileiro, de maneira imediata ele disparou: “Pelé!”. Naquele pequeno restaurante, a poucas quadras da Ópera de Viena e da Albertina, sabia-se: Pelé era o patrimônio mais conhecido do Brasil. 

Nada de Cristo Redentor ou Cataratas. Carnaval e samba meros detalhes de um país que se orgulha de sua majestade. O Rio de Janeiro – postal do Brasil – simplesmente um cenário que perde a aquarela, não fosse o amarelo canarinho vestida em ébano que fez a camisa 10 ser a grife dos 11 em campo.

O grito de gol, quando feito por Pelé – tenho certeza -, deveria ter um sabor diferente. Notas de genialidade com o sobrenatural. Um quê de elegância, com timbres de raça e determinação. Eu não vi Pelé jogar. Nem de perto. Meu pai, para se ter ideia, só nasceu depois que Pelé já havia ganhado o mundo duas vezes. Pelé era implacável e por assim ser se tornou eterno. Uma lenda antes mesmo de sua morte.

Há quem diga que Pelé jogou na época de ouro do futebol brasileiro. Eu discordo. A época foi de ouro, pois havia Pelé. Edson Arantes do Nascimento. Os adjetivos do mundo são poucos para falar o que representou o rei. Craque, ícone, gênio, incrível, eterno.  Tudo se resume a um par de sílabas. Uma oxítona acentuada: Pelé. Aos 82 anos já faltava força para driblar a morte, mas sobrava o vigor da missão cumprida.

Tenha certeza, Pelé: O mundo todo lhe reverencia. O Brasil ficou um pouco mais brasileiro depois que te viu jogar. E assim Pelé assina mais um ano na história deste país. Se em 58, 62 e 70 ele trouxe a taça Jules Rimet, em 2022 ele se despediu do planeta para jogar no plano superior.


(*) Victor Duarte Faria é jornalista em Maringá. Publicado originalmente no HojeMais Maringá.

Foto: Santos FC