Maringá FC é dono do Willie Davids?
A Associação de Profissionais da Imprensa Esportiva do Paraná (Apiepar) estuda ingressar com denúncia no Ministério Público Estadual sobre o uso do Estádio Regional Willie Davids pelo Maringá Futebol Clube. O MFC é quem dá a última palavra em relação ao uso do estádio, de placas publicitárias às cabines utilizadas por emissoras de rádio e televisão.
O clube tem utilizado as cabines do WD para transformar em camarotes destinados aos seus patrocinadores, tirando o espaço das equipes esportivas de emissoras de rádio locais, regionais e de outras cidades que vêm cobrir os jogos em Maringá, que tem agora três clubes profissionais disputando competições da Federação Paranaense de Futebol. A iniciativa teria o apoio da Abrace – Associação Brasileira dos Cronistas Esportivos. O WD é um próprio público construído em espaço cedido pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.
Hoje, de acordo com a prefeitura, o estádio é cedido para o Maringá FC, Aruko e Grêmio de Esportes para disputar os jogos (divisões do Paranaense e Copa do Brasil) e que a responsabilidade de cada partida cabe aos clubes, desde que adequando-se às normas da FPF. “Sobre as cabines, a responsabilidade de uso desse espaço cabe aos clubes, tendo que disponibiliza-lo para o trabalho da imprensa, de acordo com o que cada federação solicita”, informou o secretário de Comunicação Social, Lúcio Rosas.
Ele confirma que a Secom interviu sugerindo aos clubes uma distribuição de cabines que atendesse de forma equalitária as veículos de comunicação esportiva, para que os mesmo pudessem ter melhores condições de trabalho. Uma reunião chegou a ser realizada na secretaria, ouvindo as solicitações da imprensa esportiva, assim como outra com a direção do Maringá FC.
No entanto, diz o presidente da Apiepar, Chico Santos, na crônica esportiva desde 1985, o clube não respeitou o que foi acordado e retirou uma cabine da imprensa para transformá-lo em camarote para um patrocinador. Houve uma tentativa de acordo, sem sucesso. Cada cabine fixa destinada ao rádio esportivo tem toda uma estrutura para ajuste técnico e desalojá-la para outros fins significa no mínimo muito trabalho e incômodo. Hoje, cinco rádios de Maringá, Sarandi e Marialva utilizam as cabines fixas, além de um espaço de rádio web. O clube tem hoje a maior parte das cabines do estádio (veja marcado em cor verde clara no mapa) e dá a palavra final sobre o uso do equipamento público.
Uma pesquisa no site da Câmara de Maringá mostra que não há legislação sobre a concessão de próprio público, como o Willie Davids, ao Maringá FC, inclusive para a exploração de publicidade, desde 1996. Sobre o uso do WD, a última lei aprovada é de 2005, quando o então prefeito Silvio Barros II concedeu o estádio para uso do Coritiba FC. Há quem entenda que a cessão do WD, como ocorria até aquele ano, deveria obrigatoriamente passar pelo Legislativo.
A diretoria do Maringá Futebol Clube também teria tentando recentemente, em reunião na prefeitura, a terceirização da Vila Olímpica. De acordo com a Secom, os estudos devem ser concluídos até março. Não se sabe se haverá algum tipo de licitação ou autorização legislativa, já que se trata de prédio público.
Fundado em 2005, o Maringá FC é o nome da fantasia do Sociedade Esportiva Alvorada Club, que pertenceu ao ex-vereador Zebrão, e atualmente é administrado pelo empresário João Vitor Lima Mazzer. Com capital social de R$ 4.186.750,00, o clube tem na diretoria ainda Rafael Victor Dacome, Rodrigo Rodrigues Cardoso, Márcio Gonzales Sendeski, Rodrigo Bello da Silva (conselheiros) e Clerio Bello da Silva (diretor) e tem sede no Jardim Tóquio, em espaço concedido pelo poder público.
De acordo com o atual mapa de disposição das cabines, apenas duas são reservadas a emissoras de outras cidades. O número é insuficiente, dependendo do adversário (Londrina e Curitiba, por exemplo). Cada emissora que fará transmissão tem direito a uma vaga de estacionamento, que, agora, deverá ser usado pelos parceiros comerciais do Maringá FC. Os problemas não acontecem com o Aruko e o Grêmio.
Hoje tem jogo no Willie Davids, marcando a abertura do Campeonato Paranaense da Primeira Divisão, mas com portões fechados ao público, conforme processo 050 /2022 do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Será a partir das 18h30, contra o Foz do Iguaçu FC. O STJD também multou o clube maringaense em R$ 25 mil, por causa de brigas na torcida ocorridas no ano passado, no jogo contra o CA Paranaense. Amanhã tem Coritiba FC x Aruko Sports Brasil, no Estádio Major Antonio Couto Pereira, em Curitiba, a partir das 16h, também com portões fechados. A segunda rodada acontece na terça-feira, quando o MFC receberá o Rio Branco, de Paranaguá, às 20h. Na quarta-feira, o Aruko enfrenta o Athletico no mesmo WD, às 19h15.
Um dos novos patrocinadores do Maringá FC é da área financeira, de Paranavaí, cidade onde, em novembro, a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão no desdobramento da operação “Tentáculos“, feita em parceria com a Federação Brasileira de Bancos para combater crimes relacionados à prática de fraude bancária eletrônica.
Foto: PMM
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