O que o vereador sabe?

PM aposentado disse que se a esposa for transferida vai “abrir a minha boca”

Falando novamente na tribuna da Câmara de Maringá, na sessão ordinária de hoje, o vereador Paulo Henrique Biazon Santos (União Brasil) disse que vai abrir a boca se sua esposa, que é policial, for transferida da cidade. Ele não deu detalhes do que sabe.

Ontem ele chamou um coronel da PM de “moleque” por causa da transferências de dois policiais militares de Maringá. Uma, capitã Bruna Galli, disse hoje, vai mesmo ser transferida, e o capitão Nicola, da Esfaep, será rebaixado ao subcomando da escola de formação. “Daqui a pouco vai ser a minha esposa que vai ser transferida porque eu estou falando a verdade. E aí eu vou abrir a minha boca, porque ela também faz um excelente trabalho onde ela tá”, afirmou.

O vereador insinuou que parte da imprensa que divulgou ele ter chamado de moleque um coronel (que seria da Academia do Guatupê, de Curitiba) pode ter feito isso para prejudicar “quem não lhe renda financeiramente alguma coisa”. Assim, como fez em relação ao coronel, ele também não citou nomes. Acrescentou que por estar “aqui em cima”, referindo-se à tribuna, às vezes fica nervoso e erra.

A discussão sobre a administração e hierarquia na Polícia Militar tomou conta de parte da sessão de hoje. Santos desta vez, porém, solicitou que os vereadores assinassem um documento pedindo que não houvesse transferência de PMs, frisando que ao menos dois vereadores – Altamir da Lotérica (Podemos) e Delegado Luiz Alves (Republicanos) – teriam conhecimento de já ocorreram transferências injustas.

Biazon Santos também referiu-se ao fato de a transferência da capitã ter ocorrido na véspera do Dia internacional da Mulher, e lembrou as mulheres que são agredidas. O vereador votou favoravelmente (em primeira e segunda discussões) no projeto que dá o nome do ex-vereador Luizinho Gari a um parque linear da cidade.

Em março de 2016, Gari foi preso pela Delegacia da Mulher, por decisão da  juíza Monica Fleith, do juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, acusado de ameaçar a companheira. Gari, que enfrentou pedidos de cassação de mandato, faleceu em 2021, aos 43 anos, ficou preso no 4º Batalhão Policial Militar de Maringá por 10 dias e, em depoimento, negou a violência doméstica. (Atualizado)