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Um novo round

Sergio Moro e Tacla Duran, ouvido ontem pelo novo juiz da Lava Jato

Sergio Moro, maringaense, ex-juiz e (por enquanto) senador pelo União Brasil, foi o tema de artigo e de comentário de Reinaldo Azevedo, no UOL e na Band News. Azevedo, que cunhou a expressão “petralha”, cobra há anos de Moro que indique qual página de sua sentença traz prova de crime feito pelo hoje presidente Lula. Ontem o advogado Rodrigo Tacla Duran reafirmou as acusações e foi inclu´pido num programa de testemunhas.

No UOL, Azevedo analisa: “Como o Brasil caminhou para trás e de viés nos tempos da Lava Jato, coisas impressionantes aconteciam, e ninguém, muito especialmente a imprensa, indagava: “Mas por que é assim?” Bastava que uma fonte da Polícia ou do Ministério Público passasse adiante versões endossadas por Sergio Moro, juiz da operação, e Deltan Dallagnol, então coordenador da força-tarefa, e ninguém queria saber de mais nada. Hoje, um é senador, e o outro, deputado. É vergonhoso para uma democracia.

A dupla tinha e tem uma pedra no sapato. Chama-se Rodrigo Tacla Duran, um advogado acusado pela Lava Jato de lavar dinheiro para a Odebrecht. Os recursos seriam destinados ao pagamento de políticos. Duran sustenta há muito tempo ter sido vítima de extorsão para não ser preso pela operação. Como ele teria se negado a pagar a totalidade do que lhe haviam exigido, teve, então, a prisão preventiva decretada por Moro em 2016. Com dupla cidadania, mudou-se para a Espanha.

Não tivesse havido uma mudança nos ventos, e Duran jamais seria ouvido. A Vaza Jato revelou os métodos a que recorriam Moro e Dallagnol em seus respectivos ofícios, e a 13ª Vara Federal de Curitiba, sob a titularidade do juiz Eduardo Appio, não serve mais como um aparelho das vontades de um grupo que mirava o poder. Tampouco o Supremo se confunde com um picadeiro. No dia 17, o ministro Ricardo Lewandowski já havia suspendido a ação penal contra o advogado.

Nesta segunda, Duran prestou depoimento a Appio por teleconferência. E referendou uma acusação que já havia feito em entrevista a Jamil Chade, em reportagem publicada pelo UOL no dia 18 de junho de 2019. O advogado afirma ter sido vítima de extorsão, levado a efeito, em 2016, pelo advogado Carlos Zucolotto Jr., sócio, então, de Rosângela Moro. Mais do que isso: trata-se de um compadre do agora senador. E tudo, diz ele, com o conhecimento de Dallagnol.

Zucolotto lhe teria pedido US$ 5 milhões para que não tivesse a preventiva decretada. Desse total, US$ 613 mil, sustenta, foram efetivamente pagos na conta do escritório do advogado Marlus Arns, outro amigo de Rosangela. Como tivesse desistido de efetuar o resto do pagamento, veio o decreto de prisão. Mas já não estava mais no Brasil. Chegou a ser preso na Espanha pela Interpol, mas a decisão foi revogada”. Abaixo, o comentário na emissora de rádio:

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