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O sonho presidencial de Ratinho Jr.

Governador vai se desvencilhar da relação com Bolsonaro para tentar espaço na direita nacional?

Por Arilton Feres:

No mundo político, passada uma eleição, os holofotes dos partidos se voltam quase que imediatamente para os próximos pleitos. As peças começam a se movimentar. As articulações voltam a dominar o dia a dia. Quem almeja alçar novos voos inicia a costura para viabilizar o nome. No ano que vem teremos a escolha dos novos prefeitos. A eleição será um bom teste para aferir os poderes do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ex, Jair Bolsonaro.

Se a esquerda ainda mostra dependência de sua maior figura, Lula (77 anos), a direita faz uma movimentação ainda tímida após a derrota de Bolsonaro. Repleto de ações na Justiça, que podem deixá-lo inelegível, o ex-presidente faz sombra e assombra a direita.

Em busca de um lugar ao sol, tentando ser uma alternativa viável ao eleitorado, o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) tem demonstrado interesse em voltar a Brasília, não para ocupar uma cadeira no Congresso, mas sim no Palácio do Planalto.

Eleito em primeiro turno nas duas disputas ao governo do Paraná, Ratinho (41 anos) conseguiu reunir uma seleção de apoios políticos para governar o estado sem muitos problemas. A oposição grita, mas não consegue fazer frente aos desejos do projeto de governo de Ratinho. Além disso, o paranaense tem boas relações com o cacique maior do PSD, Gilberto Kassab, e tem um famoso garoto-propaganda para lhe pedir votos, o apresentador Ratinho, seu pai, dono de veículos de comunicação e popular nos quatro cantos do país.

Mas nem tudo são flores. O governador paranaense precisa vencer a ainda pouco expressiva força política do Paraná no cenário nacional. Vale lembrar que o estado nunca teve um filho seu eleito presidente, tão pouco vice. Poucos candidatos paranaenses disputaram o cargo maior do país, nenhum teve votação significativa.

O autoboicote também parece ser uma marca no estado, algo que impede voos maiores de políticos do Paraná. Um bom exemplo foi o do ex-governador Jaime Lerner, que no começo deste século ensaiou sair candidato, apoiado em uma fama de bom administrador e inovador. As artimanhas locais abateram seus planos. Quase saiu pelo Rio de Janeiro. Abortou o sonho. As brigas locais também afetaram Roberto Requião, Beto Richa e Alvaro Dias, para citar mais alguns. Nem Sergio Moro, que ganhou as manchetes com a operação Lava Jato, conseguiu grande adesão à sua pretensão e acabou por disputar o Senado.

Para concluir, Ratinho Jr. ainda terá de decidir se vai se desvencilhar da relação com Bolsonaro para tentar um espaço na direita nacional. Ou buscar uma vaga pelo centro, tentando abocanhar fatias do eleitorado nem-nem. É preciso lembrar que o governador foi muito próximo de Lula nas gestões anteriores do petista. Falta tempo para 2026, mas em política, pré-candidaturas são jogadas ao vento com antecedência para testar o poder de ganhar musculatura.


(*) Arilton Freres, sociólogo e diretor do Instituto Opinião.

Foto: Vlada Karpovich

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