Covaxin: Paraguai não consegue recuperar dinheiro pago por vacina não entregue
Lembram da Covaxin, a vacina indiana que o Brasil tentou comprar durante a pandemia e resultou no envolvimento do nome do deputado federal licenciado Ricardo Barros, hoje secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Paraná? De acordo com o jornal ABC Color, o maior do Paraguai, a cinco meses do término do contrato o governo paraguaio não conseguiu receber os US$ 5,5 milhões que pagou antecipadamente pela compra da vacina.
De acordo com a notícia, que mereceu primeira página e recebeu comentário do jornalista Leandro Demori (ver abaixo), o Brasil escapou de passar pela mesma situação. O país também pagaria antecipadamente pela vacina, que no Paraguai não foi completamente entregue, numa manobra que envolveria Barros, na época líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal.
Barros chegou a ser ouvido pela CPI da Pandemia, convocado por sugestão do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). De acordo com o autor do requerimento, o líder do Governo na Câmara foi “mencionado pelo próprio presidente da República no cometimento de potenciais ilícitos no contexto de negociação e compra da Covaxin”.
O governo brasileiro só não pagou antecipadamente pela vacina indiana porque um servidor público federal, Luis Ricardo Miranda, contou o caso ao seu irmão, o então deputado federal Luis Miranda (DF). O parlamentar, em junho de 2021, afirmou na CPI que Barros era o deputado ao qual Bolsonaro teria se referido ao tomar conhecimento de suspeitas de corrupção no contrato de compra da vacina indiana Covaxin. O governo havia chegado a empenhar R$ 1,6 bilhão para pagar antecipadamente a vacina.
A denúncia de irregularidades na importação da vacina foi levada ao presidente em 20 de março daquele ano. Bolsonaro teria falado que aquilo seria “coisa do Ricardo Barros”. Coincidentemente, depois de feita a denúncia pelo servidor, a mulher de Ricardo, Cida Borghetti, foi nomeada conselheira de Itaipu pelo próprio Bolsonaro. O contrato com a Biotech foi cancelado em julho, depois de a CGU constatar as irregularidades.
Vocês se lembram da #Covaxin, a vacina indiana que Bolsonaro queria comprar? @demori #iclnoticias #vacina #cpidacovid pic.twitter.com/a1MjrGP2wf
— ICL Notícias (@ICLNoticias) April 27, 2023
Foto: Agência Brasil
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