O amigo acenou de longe, parando para uma prosa rápida. Falava e gesticulava demonstrando insatisfação com um dos maiores eventos da Cidade Canção. Garantiu que foi esfolado pelos comerciantes no Parque de Exposições, onde havia levado a família para o tão esperado dia de lazer. Enumerou as despesas, comparando os preços praticados na Expoingá com os do comércio de rua em geral. Depois de se certificar que seria atendido com algumas poucas linhas em sua defesa, saiu dizendo que estava à procura de uma costureira para remendar o bolso.
Uma piada espirituosa, mas pertinente diante dos valores exorbitantes verificados naquele evento que a princípio, haveria de ser acessível a toda a população, incluindo-se necessariamente os menos privilegiados da sociedade.
O colóquio atraiu alguns curiosos que, sem serem consultados, resolveram opinar de forma elitista argumentando que “quem não quiser pagar os valores cobrados na feira, é só não rodear as barracas ou então não ir ao parque, simples assim”, ou “todo ano é a mesma coisa, o povo guarda o dinheiro para gastar na feira”.
Acontece que ninguém tem o direito de impor valores exagerados por ocasião daquele tradicional evento, que recebe visitantes de uma vasta região do Paraná. Por suas peculiaridades, a feira atrai famílias inteiras, o que por si já é mais um motivo para que o bom senso prevaleça e os visitantes sejam respeitados em seus direitos elementares como consumidores.
Seria interessante que a entidade organizadora do evento viesse a pactuar junto aos comerciantes, uma fórmula eficaz para garantir o retorno financeiro do investimento sem, no entanto, onerar demasiadamente aqueles que há décadas prestigiam a feira.
Eventos como esse deveriam ser planejados com objetivos maiores, como oferecer lazer e diversão com custo razoável à população. A Sociedade Rural de Maringá não pode se isentar da responsabilidade sobre tudo o que acontece nas dependências do Parque de Exposições e isso inclui determinados excessos por parte de alguns comerciantes. Uma boa dose de sensibilidade no trato com o povo seria bem vinda, mesmo porque sem público presente, a Expoingá perderia sua razão de existir. E muitos frequentadores, como meu inconformado amigo, não sairiam de lá de bolso furado.
(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR
Foto: Divulgação/SRM