Contribuições para o Orçamento Cidadão 2023

Debates permitem identificar problemas crônicos da ‘melhor cidade para se viver’

Por ocasião das assembleias do Orçamento Cidadão 2023, que ocorrem ao longo desta semana, resolvi divulgar algumas contribuições que podem ajudar Maringá a se tornar cada vez mais justa, segura e inclusiva, no presente e no futuro. Elas sintetizam quase uma década de debates que travei com amigos, familiares, colegas, conhecidos e desconhecidos de diversos bairros, movimentos sociais e setor público.

Esses debates, observações e análises me permitiram identificar alguns problemas crônicos da “melhor cidade para se viver” no universo, que mexem profundamente com cada cidadão maringaense. Aliás, viraram clichês das campanhas eleitorais.

O objetivo de torná-las públicas é incentivar mais e mais pessoas e grupos a participarem da política local, hoje e sempre: sugerindo, criticando, reclamando, nas ruas, nas feiras, nas redes. Tudo que possa mostrar ao Poder Público as verdadeiras prioridades da população, para evitar que o dinheiro dos impostos seja investido em coisas supérfluas. Viáveis ou não, acho que vale a reflexão. Chega de papo furado, são elas:

  • IPTU Progressivo com desapropriação dos terrenos e construções inacabadas que não cumpram função social e sejam reincidentes em multas do Poder Público. Justificativa: combater a especulação imobiliária e a proliferação de insetos transmissores de doenças e animais peçonhentos, aumentar a segurança da população.
  • Tarifa zero no transporte público. Justificativa: atrair um grande número de usuários a fim de melhorar a mobilidade urbana por meio da redução do uso de veículos particulares, já que visivelmente a cidade mal comporta a frota existente hoje.
  • Construção de novos conjuntos habitacionais para a população de baixa renda ou em situação de rua, vinculada a uma política permanente de capacitação profissional e geração de emprego e renda. Justificativa: inclusão e emancipação econômica de famílias e indivíduos socialmente vulneráveis.
  • Descentralização do esporte e da cultura, através da construção de novos centros esportivos e Casas da Cultura em bairros de alta vulnerabilidade social, bem como a reforma dos espaços já existentes. Justificativa: proporcionar a pessoas de todas as faixas etárias o acesso ao esporte, cultura e lazer, com a possibilidade de formação de novos atletas ou artistas em diferentes áreas. O resultado seria positivo também nas áreas de saúde e segurança pública, pois daria perspectiva de futuro a crianças e adolescentes e contribuiria com a saúde física e mental de toda a população.
  • Contratação de professores para trabalharem nas salas desativadas dos CMEIs já existentes e daqueles que venha a ser construídos. Justificativa: acabar com a fila de crianças de 0 a 3 anos aguardando vaga em CMEIS, erradicar a privatização do ensino público e favorecer o retorno especialmente das mulheres ao mercado de trabalho.
  • Política de policiamento comunitário, treinamento periódico em direitos humanos e descentralização da Guarda Municipal, através da instalação de módulos fixos em regiões estratégicas da cidade. Justificativa: reduzir os índices de criminalidade e vandalismo, estabelecer vínculos de respeito e confiança com os moradores dos bairros atendidos.
  • Interligação das ciclovias no sentido norte/sul e construção de novos trechos. Justificativa: acabar com a descontinuidade das ciclovias, principalmente quando cruzam a Avenida Colombo, e incentivar o uso da bicicleta, transporte ágil e benéfico à saúde física e mental.
  • Contratação de servidores públicos e compra de equipamentos para acabar com a fila de poda, retirada e destocamento de árvores condenadas. Justificativa: reduzir os desastres humanos e estruturais decorrentes da queda frequente de árvores em dias de chuva.
  • Reorganização da saúde pública do município, visto que o aumento vultoso do orçamento nos últimos anos não tem sido suficiente para zerar as filas de espera por consultas especializadas. Justificativa: reduzir ao mínimo razoável as filas de espera, garantindo atendimento digno, preventivo e de qualidade para a população.
  • Intensificação das obras de escoamento das chuvas e permeabilização dos logradouros públicos. Justificativa: evitar o alagamento recorrente de vários pontos da cidade, que se tornaram objeto de piada nos últimos anos.

Provavelmente a administração alegaria não ter orçamento pra isso, que já existe aquilo, que tem de estudar, que é desnecessário, inviável ou mesmo absurdo. É praxe nesse ramo! Mas acredito que muita gente vai se identificar com as propostas, e foi pra essa gente que resolvi escrever.


(*) Eduardo Siqueira: graduado em Letras e especializado em História pela UEM, servidor público municipal desde 2006, dirigente do PCdoB Maringá.