“O sonho dele me faz parar de sonhar”
Por Dionysio Neto:
Tenho recebido cumprimentos de inúmeros amigos pelo fato de o Julinho estar na TV Cultura, área jornalística, que ele sempre gostou. Tem muito a apreender e parece que não vai largar, muito embora eu sonhasse para ele ser advogado. Ele está no 4° ano de Direito, mas tem jornalismo no sangue. Agradecido e honrado, desejo contar como foi que Julinho seguiu para Maringá.
Terminando o Curso Técnico, em Arapongas, sem qualquer preparo, inscreveu-se para vestibular em Direito, nas Universidades de Londrina e Maringá. Passou no vestibular da UEM. E daí? Eu o desejava mais próximo de mim, da mãe Marlene, da Revista, enfim, de todos nós. Tivemos que encarar Maringá. Num domingo, fomos assistir a Grêmio e Londrina. Terminando o jogo, hora do nó na garganta, porque o Julinho iria ficar. Provisoriamente, arrumei um apartamento no Hotel Astória, do amigo Franco Galletto. Enrolamos o mais que pudemos (Alcides, irmão da Silvia, estava comigo) e chegou a ar hora da despedida. Fiz de tudo para não chorar. Impossível. Dei-lhe um abraço apertado, beijo na face, cheque para qualquer eventualidade, fiz de tudo para não vê-lo entrar no Hotel.
Minha vontade era agarrá-lo, levá-lo de volta a Arapongas e dane-se o mundo. Não podia. Ele tinha a vida dele. Olha, qualquer coisa você me liga, eu venho buscá-lo imediatamente, disse-lhe. Ele só me encarou, lágrima nos olhos. abaixou a cabeça, virou-se em direção ao Hotel. Entrei no carro, peguei a estrada e não vi a estrada. Como pano de fundo, sua imagem. Impossível não chorar. Chego em casa. De repente, nada mais que de repente, toca o telefone. Meu Deus, aconteceu alguma coisa com o Julinho. Ele está pedindo para voltar. Vou buscá-lo, eu volto agora mesmo. Não era nada disso. Era o Julinho, mas dizendo-me: “Olha pai, eu encontrei o Júnior, filho do Paulo Gomes, ele vai me arrumar um lugar na república onde ele se encontra. Vou ficar no Hotel só até amanhã. Não se preocupe, bicho, está tudo bem”.
Respirei fundo, agradeci a Deus pela sua bênção. Dia seguinte, ele ligou para dizer que já estava indo para a república, tinha feito amizades, através do Júnior. Começou os estudos. Certo dia, fui a Maringá e pedi orientação ao amigo Dr. João de Mello Sobrinho, o Mellinho. Este, mais tarde e a pedido do Julinho, deu-lhe um cartão e o “Nanica” foi até “O Diário” tentar um emprego. Atendido pelo Angelo Rigon (olha, Angelo, andei lendo que você é ateu, mas somente Deus pode tê-lo colocado no caminho do Julinho. E, sendo assim, por favor, mude conceito: Deus existe mesmo), foi logo começando a trabalhar. No início, fazendo notícias policiais, coberturas. Fez reportagens, seguiu em frente. Aprendeu muito na escola de “O Diário”, com Rigon, Trevizan e tantos outros. Passou pelo “O Jornal”. Participou e participa da revista Pois É. Até que, testado, ingressou na TV Cultura.
Confesso que fiquei emocionado ao vê-lo, pela primeira vez, no vídeo. Quem di-ria, o “Nanica” chegou lá. Ele tem muito que aprender, mas eu sinto que está no caminho certo. Humilde, interessado e perceptivo. Assim ele tem sido. Na “Revista da Cidade” ele deu uma guinada de 360 graus. Ficou um mês, em suas férias, e transformou a Revista. Tanto no visual. quanto no conteúdo. A sequência não cabe somente a ele, todos nós temos responsabilidades.
É isso aí, Júlio César Rodrigues. Respeite, conserve e dignifique o seu nome que aparece diariamente na TV Cultura. A sua imagem é a própria imagem de Arapongas. Não descuide dela. Segure firme o microfone global. Não o deixe cair. E, se isso um dia ocorrer, não esquente. Você está indo longe, muito mais do que a gente esperava nesse mundo tão difícil da televisão. Seu futuro foi desenhado por você próprio. Ele só depende de você. A gente e os amigos ficamos por aqui, de olho na TV. Quando você aparece, é uma emoção muito forte, pode crer.
Dionysio Neto
Publicado na Revista da Cidade/Arapongas – junho/89 – página 15
Reproduzo o texto feito 34 anos atrás por várias razões, mas principalmente pelo orgulho que me dá ter trabalhado com uma pessoa tão correta, íntegra, verdadeira. Julinho herdou o texto limpo e admirável de seu pai, a quem me dirijo agora publicamente: mudei meu conceito – divulgado numa edição da PoisÉ – dois anos depois do belo artigo que o sr. publicou e, quis a vida. só vim a ler agora (fui ateu dos 14 aos 29). Deus existe mesmo.
Fotos: Edson Guitti/Site Rodrigues Neto Advogados
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