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Um pouco de sentido faz sentido

“Até se pode ouvir o som que bate nas veias da nossa gente”

O texto de Marcos Faerman pulsa. Até se pode ouvir o som que bate nas veias da nossa gente. No dizer do crítico de arte Jacob Klintowitz é assim que se manifesta a escrita de um dos maiores jornalistas que o Brasil leu. Ao menos quem gosta de uma prosa entrelaçada, sem perder o ritmo, algum dia deve ter lido Faerman.

Comprei num sebo virtual, capa encardida pelo tempo. “Com as mãos sujas de sangue” é um retrato cru e cruel das gentes esquecidas pelos rincões de um Brasil. Faerman rifou a objetividade, aquela que aprendemos, dizem, em respeito ao leitor. Com 14 histórias, mas é quase um romance. Os personagens, embora diferentes, se complementam. “O poeta da favela do sapo” não se distancia do velho Manuel, de “Veneno sobre o mar de todos os santos”.

Uma reportagem puxa a outra. O leitor atento percebe. Em “Depois que o corpo cai” os sentidos se embaralham. Suicídio ou homicídio? No final um bilhete revela o enigma. Aliás, sentidos não faltam às histórias de Faerman. Um ferrenho produtor de sentido. Para o dissabor dos arautos da objetividade.

O exemplar que comprei está autografado. De Marcos Faerman para um certo padre Pascoal, em Belo Horizonte,1980. Com tantos relançamentos por aí, alguma editora poderia relançar “Com as mãos sujas de sangue”. Num momento de efêmeras notícias no mundo virtual, um pouco de sentido faz sentido. Entre o dito e o não-dito, pulsa a vida…

Para saber mais sobre Marcos Faerman consulte aqui.


(*) Donizete Oliveira, jornalista e historiador. Confira outras reportagens no site O Repórter Andarilho.

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