Um maringaense “ás” do traço

Kaltoé se destaca com renomados trabalhos encantando até o papa Francisco, que retratou, com outros ilustradores, numa exposição em São Paulo, transformada no livro “O papa sorriu”, com o qual o cardeal Odilo Scherer o presenteou na visita dele ao Brasil
Numa padaria, no centro de Maringá, saboreando um cafezinho, entrevistei Luiz Carlos Altoé, um sujeito que carrega no traço sua identificação. Kaltoé é seu nome artístico, um artista plástico e ilustrador nato, que começou a desenhar ainda criança, revelando seu talento. Nascido em Maringá em 27 de dezembro de 1953, com 18 anos foi morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou, entre outros lugares, na Bloch Editores. Morou em Vitória (ES), exercendo a arte finalista, deixava sua marca nas capas do jornal A Tribuna de Vitória.
Formado em Educação Artística e Comunicação, em 1981, Kaltoé retornou a Maringá. Antes, conheceu Jaguar, no Pasquim, onde publicou alguns de seus trabalhos. Entre 1975 e 1977, o artista maringaense ia à Redação do Pasquim, no Rio de Janeiro, levar seus cartuns. “O Jaguar fazia a seleção de acordo com o tema da semana”, diz. Se aprovado, era publicado, e ele recebia pelo trabalho. Na época, ele assinava Kal, mas descobriu que havia um artista com esse pseudônimo e incorporou Kaltoé.
Funcionário público aposentado, não vive só de arte, infelizmente, mas continua a espalhar seus traços pelo Brasil e o mundo. Com outros ilustradores, retratou o papa Francisco “O papa e a Copa” numa exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo, que se transformou no livro “O papa sorriu”. O pontífice, em visita ao Brasil, soltou uma gargalhada, ao recebê-lo das mãos do cardial Odilo Scherer. Outro trabalho seu figurou entre 60 cartunistas brasileiros que homenagearam o apresentador Silvio Santos.
Participou de várias exposições. Por exemplo, da “Oscar Toons”, em São Bernardo do Campo (SP), em 2016, na qual 75 artistas fizeram caricaturas em homenagem a celebridades ganhadoras da estatueta. Kaltoé retratou a própria estatueta aparentando dor nas costas. “Afinal, são 89 anos sempre na mesma posição”, brincou ele, na época. Em 2015, participou entre os cartunistas escolhidos que homenagearam os 50 anos de novelas da Rede Globo, numa exposição no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Kaltoé também produzia e distribuía um jornalzinho de piadas, o “Cheng-pong”, que virou uma espécie minissaia, muitos ao menos davam uma olhada. Exemplares ficavam expostos nos balcões de alguns bares da cidade. Por falta de tempo, preparar a edição semanal, ele encerrou a circulação na tiragem número mil. Mas houve reclamações, e ele voltou com o “BARboseiras”, em princípio quinzenal, com o mesmo perfil.
Adaptado às novas mídias, divorciado, dois filhos, Kaltoé continua a produzir seus traços. Para este perfil, ele desenhou uma caricatura do primeiro arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho. Com a internet, seu trabalho tornou-se mais conhecido e acessível. Ele quase não faz exposição, mas sua arte está sempre em grandes exposições pelo Brasil. Um orgulho para Maringá. Um “ás” do traço, dizem seus admiradores.
Fotos e ilustrações: Arquivo pessoal