As joias e as investigações

Cid viu como Bolsonaro fritou um ministro da Defesa e três comandantes militares

De Elio Gaspari, hoje em O Globo:

O silêncio de Bolsonaro – Protegendo-se no inquérito das joias das Arábias, Jair Bolsonaro resolveu ficar em silêncio.

Se ele tivesse adotado essa estratégia durante seus quatro anos de governo em relação à pandemia da Covid e às vacinas, talvez não tivesse perdido a Presidência.

Descobriu tarde que ficar calado é o melhor remédio.

O tenente-coronel viu a frigideira – Mauro Cid está colaborando com as investigações. Não se conhece o ponto final dessa colaboração, mas se conhece o ponto de partida.

Convivendo com o ex-capitão, Cid viu como ele fritou um ministro da Defesa e três comandantes militares. Viu também a fritura do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz e do fiel Gustavo Bebianno.

Pode ter concordado com todas as frituras, mas desde que começou a história das joias das Arábias, não pode ter deixado de perceber que todas as versões de seu chefe podiam ser desconexas e contraditórias, mas convergiam num aspecto: fosse o que fosse o que havia acontecido, o responsável seria o tenente-coronel Mauro Cid.

Era areia demais para o seu caminhão.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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