Investigado pelo CNJ, Moro agora espalha fake news sobre banheiro unissex
Não é nada boa a fase do maringaense Sergio Moro, senador pelo Podemos do Paraná com mandato em contagem regressiva. Na semana passada o Conselho Nacional de Justiça anunciou que vai investigá-lo, junto com a juíza Gabriela Hardt, por supostamente terem violado deveres de transparência e imparcialidade na autorização do repasse de R$ 2 bilhões dos acordos firmados na Lava-Jato para a Petrobras. Contra ele ainda pela o uso do cargo de juiz federal para fins políticos.
Agora, deve responder pela divulgação de mentiras nas redes sociais. Eler acusou o governo Lula de “impor banheiros unissex” nas escolas, uma informação falsa já desmentida. “Sem Congresso, sem debate com sociedade, sem consulta a Estados e Municípios, sem perguntar aos pais, Governo Lula impõe banheiros unissex para todas as escolas públicas do país”, escreveu. Para o site Brasil 247, trata-se de “fim de linha” para o senador.
O governo federal desmentiu a fake news sobre uma suposta obrigação da adoção de banheiros unissex nas escolas, notícia falsa que começou a circular após a publicação, na sexta-feira, de uma resolução tratando de parâmetros para o acesso e permanência de pessoas travestis, mulheres e homens transexuais, além de pessoas transmasculinas e não binárias, nos sistemas e instituições de ensino.
O texto diz que as instituições de ensino – em qualquer nível – devem garantir, entre outros pontos, o uso do nome social nos formulários de matrícula, registro de frequência, avaliação e similares nos sistemas de informação utilizados pelas escolas.
Além disso, a resolução estabelece que deve ser garantido o uso de banheiros, vestiários e demais espaços segregados por gênero, quando houver, de acordo com a identidade e/ou expressão de gênero de cada estudante.
Após a publicação, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Filipe Barros (PL), de Londrina, começaram a difundir informações falsas a respeito. Em vídeo publicado em uma rede social, Ferreira diz que o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania havia instituído banheiros unissex em todas as escolas do país. Já Barros afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia instituído o banheiro unissex no Brasil.
O ministro de Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, disse que acionou a Advocacia-Geral da União pedindo apuração. “Quem usa a mentira como meio de fazer política, incentiva o ódio contra minorias e não se comporta de modo republicano tem que ser tratado com os rigores da lei. É assim que vai ser”, disse o ministro em uma rede social. Como Sergio Moro também repercutiu a mentira, poderá ser acionado pela CGU.
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado