Um grande livro: ‘Milicianos’

Jogo, milícias e drogas protegem-se sob uma capa de cumplicidade e empulhação

Trecho do artigo semanal de Elio Gaspari, em O Globo:

Está nas livrarias “Milicianos”, do repórter Rafael Soares. É um grande livro e conta a triste história do progresso do crime organizado no Rio de Janeiro. Com uma década de trabalho e dez mil páginas de documentos pesquisados, ele expõe a gravidade do problema. A tropa de elite da Polícia Militar era formada por uma equipe de assassinos. Alguns migraram para as milícias e pistolagens, acabando no tráfico de armas e drogas. De certa maneira, isso já era sabido ou intuído. Rafael Soares mostra que o sabido e intuído há anos estava também documentado pelo Ministério Público.

Jogo, milícias e drogas protegem-se sob uma capa de cumplicidade e empulhação. Os pistoleiros Ronnie Lessa, acusado de ter assassinado a vereadora Marielle Franco, e Adriano da Nóbrega, gerente do Escritório do Crime, não foram pontos fora da curva, mas prolongamentos de uma linha irregular. Na íntegra aqui, para assinantes.

A situação vem piorando: as facções já estariam dominando outros estados, inclusive o fornecimento de prefeituras. Há quatro dias a Polícia Federal apreendeu na Operação Dontraz, 10 toneladas de cocaína da máfia Sérvia, que usaria o Porto do Mucuripe, no Ceará, para exportá-la. O Pecém, outro porto cearense, também passou a ser utilizada pelos criminosos; a droga viria da Bolívia e Peru.