Pra que servem os “16 dias de Ativismo contra a Violência sobre as Mulheres”?

Esse período serve para mostrar também os dados alarmantes de violência contra a mulher

Em pleno “16 Dias de Ativismo contra a Violência sobre as Mulheres“ depara-se com notícias como o assassinato a tiros de uma mulher pelo marido policial, a masturbação feita por um policial diante das funcionárias de uma concessionária de estradas, a morte de uma garota de 14 anos que saiu de casa pra buscar a irmã na escola… e a lista e violências contra as mulheres só aumenta.

O evento “16 Dias de Ativismo contra a Violência sobre as Mulheres“ foi  proposto na Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher. Trata-se de uma mobilização mundial que ocorre em mais de 160 países, sendo realizada no Brasil desde 2003.

No Brasil, o evento engloba 21 dias pois começa no dia 20 de novembro, dia da consciência negra e ser encerra no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamado em 1948. Dentro desse período dos 16 dias, tem-se também o dia 25 de novembro, o dia 01 de dezembro e o dia 06 de dezembro.

O dia “25 de Novembro” foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, como o “Dia Internacional de Luta contra a Violência sobre a Mulher”. A data foi escolhida para homenagear as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana, por se oporem ao seu governo. O dia 01 de dezembro é o dia internacional  de combate à Aids e 06 de dezembro é o dia da campanha Laço Branco – homens pelo fim da violência contra a mulher.

Todas essas datas que compõem os 16 dias de ativismo têm potência ao mostrar a dura realidade das mulheres: em situação de violência doméstica,  na área de saúde, mulheres negras, lésbicas, trans, indígenas, pessoas com deficiência, entre tantas. Esse período serve para mostrar também os dados alarmantes de violência contra a mulher, os feminicídios, os estupros, o assédio, a violência política de gênero, a misoginia, dentre tantas situações nas quais a mulher é vitimada pelo simples fato de ser mulher.

É um cenário grave que se apresenta em todos os dias, vitimando as mulheres e meninas.

O intuito dos 16 dias de ativismo de conscientização da sociedade e de cobrança das autoridades para medidas de combate à violência não tem freado os agressores e feminicidas que sequer seguem o cumprimento das leis, que no caso brasileiro, são reconhecidas mundialmente no combate à violência contra a mulher.  

A despeito das campanhas e das leis, da criação de organismos de atendimento às mulheres em situação de vulnerabilidade, das entidades da sociedade civil que se desdobram, de forma voluntária no combate à violência, o cenário pouco mudou pois as mulheres continuam sendo mortas e agredidas.

Parece até que é algo planejado, como se houvesse uma orquestração e incentivo para esses crimes e o ódio às mulheres. É como se houvesse a existência de grupos na Internet que incentivam os crimes contra as mulheres…Será que isso existe? Ou é apenas uma desconfiança de uma professora de computação?

O fato concreto é que os dados da violência têm aumentado a cada ano e é preciso muita força para barrar e combater a violência contra a mulher

Que eventos como o  “16 dias de ativismo contra a violência sobre as mulheres”  junto com as leis, os governos e a sociedade contribuam efetivamente para garantir às mulheres o direito a uma vida sem violência e sem medo.


(*) Tania Taitprofessora, escritora, integrante da ONG Maria do Ingá Direitos da Mulher

Ilustração: ONU Mulheres

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