Pré-candidato ao Senado pelo PP adquire área para construir condomínio de luxo

Pré-candidato ao Senado pelo PP, que comanda há anos no Paraná, o secretário de Indústria, Comércio e Serviços do governador Ratinho Junior (PSD), Ricardo Barros, não pode reclamar da economia sob o governo Lula em 2023. Se há um ano ele perdia a função de líder do governo do hoje inelegível Jair Bolsonaro (PL), a quem defendeu com unhas e dentes depois de afirmar que quem cassava presidente era a Câmara Federal, termina o ano sem ter que do que reclamar.
Além de se licenciar da Câmara mas mantendo todos os seus cargos de confiança lotados no gabinete do suplente, o londrinense Marco Brasil, Barros aumentou seu patrimônio. Em setembro através de uma suas empresas ele adquiriu uma nobilíssima área de 96.800 metros quadrados (quatro alqueires paulistas) na região que fica atrás do Horto Florestal, na Zona 5, onde há anos funciona o conhecido Pesqueiro São José – que tem mais movimento que pontos turísticos, como, por exemplo, o Parque do Japão.
O valor do negócio, de mais de R$ 7 milhões, não está longe do total de bens declarados à Justiças Eleitoral em 2022: R$ 8.753.932,13. O bom negócio foi fechado em setembro com herdeiros do proprietário, falecido em 2012, que havia comprado em 1971 da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. A aquisição deu-se no auge da discussão sobre o termo de prestação de serviços do município com a Sanepar, que daria R$ 300 milhões, incluindo como contrapartida o Horto Florestal, avaliado em R$ 200 milhões, repassado ao braço imobiliário da CMNP, mas que seria entregue benevolamente por cerca de R$ 50 milhões.
Os vereadores não aprovaram a negociação, a coisa emperrou, apresentou-se uma autorização de empréstimo, que foi engavetada por recomendação do Ministério Público, e pode deixar a prefeitura em maus lençóis em algum tempo. Uma entidade que reúne empresas privadas interessadas em saneamento teria acompanhado com interesse o caso.
Na área adquirida – onde há olho d´água -, enquanto não houver manifestação de ONGs ou órgãos governamentais, saindo o pesqueiro a intenção é construir um condomínio de altíssimo nível, coisa de menos de 100 lotes. O empreendedor poderá lucrar 10 vezes mais do que investiu para ter o terreno. Para isso teme-se que será preciso colocar abaixo boa parte da área verde, que fica logo abaixo do Horto Florestal Dr. Luiz Teixeira Mendes.
O Pesqueiro São José, que tem três lagos e é o único no gênero que se encontra dentro de uma área urbana, deverá permanecer no local por até o segundo semestre do ano que vem, pelo menos. Maringá deixará de ter um lugar abençoado pela natureza, que reúne famílias, pescadores e afins, para dar espaço para mais um empreendimento imobiliário elitizado. E la nave va…
PS – O blog entrou em contato com a assessoria do deputado licenciado. Eventual manifestação a respeito será publicado neste mesmo espaço.

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