Conversa com professor Tadeu França discute raízes da fala caipira de Maringá
No próximo dia 22, uma segunda-feira, um evento no Auditório Walter Pelegrini, na Universidade Estadual de Maringá, pretende colocar em evidencia o professor Tadeu França linguista, responsável por uma pesquisa pioneira sobre o português em uso em Maringá, em especial na sua modalidade popular. Tadeu foi vereador, deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado.
“O trabalho é precioso nesse sentido. Há 46 anos atrás ele já fazia um esforço de estudar a língua na cidade, com uma metodologia que hoje pode parecer comum para a pesquisa linguística, mas que na época era uma enorme novidade, inclusive nas grandes universidades brasileiras”, atesta a divulgação do bate-papo, realização da linha de Descrição Linguística do Programa de Pós-graduação em Letras da UEM. Na organização estão os professores Hélcius Batista Pereira, Juliano Desiderato Antonio e André Luis Antonelli. Será a partir das 19h30, no Bloco G-34.
Em 1977, então docente da Letras da UEM, José Bento Tadeu França defendeu seu mestrado com a pesquisa intitulada “O discurso vulgar na área de Maringá”, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sagrado Coração de Jesus em Bauru (SP). Seu trabalho contou com a orientação da renomada professora Nelyse Aparedida Melro Salzedas, que fez uma sólida e produtiva carreira na Unesp. Contou, ainda, com a colaboração do professor da USP Dino Pretti, um dos nomes mais importantes da sociolinguística brasileira, que ministrou uma disciplina da qual França participou como aluno e, por fim, compôs a banca avaliadora da dissertação.
Para sua investigação sobre a fala caipira em Maringá, França tomou amostras reais de uso da língua feito por pessoas ligadas à cultura rural que residiam no município a época, investigando o que hoje conhecemos como português brasileiro popular. Os procedimentos que utilizou na pesquisa, que aos olhos de hoje podem soar comuns, eram uma novidade na época.
Para além disso, o trabalho de pesquisa do linguista Tadeu França teve o grande mérito de registrar o uso real da língua por moradores de Maringá na década de 1970, expondo os mecanismos da oralidade, em uma perspectiva que não abriu mão de perceber no dado sincrônico a mudança da língua. Um registro precioso para a história linguística da cidade e da pesquisa em descrição linguística da UEM. “É sobre esse percurso investigativo que nosso bate-papo com o professor, muito conhecido por sua carreira política, vai se desenvolver”, informam. A inscrição, aberta a todos os interessados, pode ser feita aqui.
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