Lula abre “os olhos do mundo” sobre genocídio em Gaza

O mundo tem visto diariamente a punição coletiva impetrada sobre o povo palestino, com destruição da infraestrutura civil, através de bombardeios a escolas, hospitais, condenando a população civil a ficar sem água, comida, remédios, sem anestesia para procedimentos médicos

A fala do presidente Lula sobre o genocídio em Gaza gerou inúmeras manifestações mundo afora. Cientistas políticos, historiadores, jornalistas e líderes políticos e religiosos passaram a repercutir a colocação do presidente brasileiro. Críticas a favor e contra se multiplicaram, mas algo é inegável em meio a esse turbilhão de opinião: Lula abriu os olhos do mundo para o genocídio em Gaza.

Pode-se buscar no dicionário refúgio semântico para tentar amenizar as atrocidades cometidas pelo Governo de Israel, e não pelo povo judeu (que fique claro), em Gaza, mas nenhuma troca de palavra é capaz de justificar a morte de 30 mil pessoas, sendo mais de 10 mil crianças. A única linha vermelha que o presidente Lula cruzou foi a da omissão ao romper o silêncio dos líderes mundiais diante, mais uma vez, do genocídio em Gaza.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou Lula “persona non grata” e seu ministro de Relações Exteriores, Katz, definiu a fala do presidente do Brasil como um “cuspe na cara dos judeus brasileiros”. Oras, a verdade é que o presidente Lula chamou a atenção para a barbárie que ocorre com o povo palestino. E como bem pontuou o comentarista Marcelo Lins, da Globo News: Israel tenta esticar o assunto, porque é o único tema que consegue assumir uma postura moral mais alta.

Porém, o Governo de Netanyahu não está numa posição para dar lição de moral em ninguém, pois o mundo tem visto diariamente a punição coletiva impetrada sobre o povo palestino, com destruição da infraestrutura civil, através de bombardeios a escolas, hospitais, condenando a população civil a ficar sem água, comida, remédios, sem anestesia para procedimentos médicos. A população agoniza diante da maldade de Netanyahu. Realmente, ser considerado “persona non grata” por algumas pessoas é o melhor que se pode fazer.

E, como tenho visto algumas publicações, Israel ataca como Estado, mas se defende usando como escudo a religião. O tema realmente é sensível, mas espero que o mundo atenha os olhos aos crimes de guerra cometido contra a população palestina, enxergue as inúmeras denúncias feitas há tempos por instituições, como a “Humans Rights Watch, entidade que observa a defesa dos Direitos Humanos no mundo, que em seu relatório de 2021, apontou que Israel atua sistematicamente para perpetuar o controle demográfico, político e territorial da região, constituindo um regime de segregação, apartheid.

Aliás, a expansão israelense sobre o território palestino é uma ação coordenada há anos e precisa ser parada. Não podemos nos esquecer que durante o Nakba mais de 700 mil palestinos foram expulsos de seus lares por israelenses e até hoje seus descendentes não conseguem voltar para casa. E, neste momento, o cessar-fogo se faz urgente para salvar vidas em Gaza.

Ah, você deve estar se questionando, mas não vai falar do ataque do Hamas? O ataque do Hamas foi desumano e deve ser punido, porém a população palestina não é o Hamas. É isso que precisa ficar claro.

E para finalizar, sobre parlamentar que busca assinaturas para entrar com pedido de impeachment contra Lula, baseada na sua fala que deixa claro o genocídio em Gaza, sinceramente, não vejo motivos para ser levado a sério, em especial, pois ser orquestrado por golpista e propagador de fake news.


(*) Arilson Chiorato, deputado estadual e presidente do PT-PR

Foto: Аnna Radomska/UN News

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