A anistia de Bolsonaro

Se houve trama golpista, como os fatos estão mostrando, trata-se de uma anistia preventiva que, pela lógica, haveria de beneficiá-lo.

Trechos do artigo de Elio Gaspari, em O Globo:

(…) Bolsonaro diz que não houve trama golpista. Se não houve, precisa-se é de justiça, inocentando quem nada tramou. Se houve, como os fatos estão mostrando, trata-se de uma anistia preventiva que, pela lógica, haveria de beneficiá-lo.

No discurso da Paulista, as palavras “pacificação”, “conciliação” e “anistia” foram meros adornos. No conjunto, Bolsonaro é o mesmo de sempre, messiânico em benefício próprio. A anistia que ele propõe, como a que a esquerda defendia em 1965, pressupõe a capitulação de quem a concede. (…)

Aceitando a proposta de conciliação de Bolsonaro, anistia-se a infantaria golpista do 8 de Janeiro, “os pobres coitados”, e por extensão livra-se o estado-maior do golpe, cujos fios soltos a Polícia Federal vem puxando. Astuciosamente, a anistia congelaria as investigações. Nenhuma anistia foi preventiva. (…)

A manifestação da Paulista mostrou o vigor político do ex-capitão, mas sua proposta de pacificação tem pouca base, com objetivo puramente utilitário. Apesar de tudo, dando-lhe o benefício da dúvida, amanhã será outro dia, e o modelo Bolsonaro Paz e Amor precisará mostrar outras cartas.

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