É hora de dar um basta na farra fiscal da fé

Ricardo Kertzman e a naturalidade com que estão tratando a promíscua relação entre religião e Estado

Li na revista IstoÉ e reproduzo, matéria de Ricardo Kertzman: “É simplesmente espantoso e profundamente perturbador o fato de o Brasil, cada vez mais, normalizar aquilo que não é normal – ou ao menos não deveria ser. Refiro-me à naturalidade com que estão tratando a promíscua relação entre religião e Estado, este último, constitucionalmente declarado laico, mas como tudo, não efetivamente obedecido.

Não bastasse uma autodeclarada “bancada evangélica” no seio do Congresso Nacional – e, aqui, absolutamente nada contra ou a favor de evangélicos ou quaisquer outros credos -, que luta com a faca nos dentes (e sem crucifixo nas mãos) por cada vez mais poder, sedizentes pastores investem na ruptura democrática, financiados pela… democracia.

Ligados ao bolsonarismo, “homens de Deus” pregam abertamente, em seus templos, a cisão social motivada pela política. Pior. Reforçam os discursos contra o Estado Democrático de Direito. Não à toa terem recebido do “mito” mais benesses fiscais do que já recebiam. Aliás, o presidente Lula não ousou retirá-las em suas medidas arrecadatórias.

Manter isentos de imposto de renda os salários espetaculares de líderes religiosos, como quer a bancada evangélica, ao mesmo tempo em que suas igrejas tornam-se verdadeiros impérios comerciais, da comunicação ao transporte, passando por entretenimento e lazer, é muito mais que um escárnio com os pagadores de impostos; é uma regalia perigosa”. (Leia mais)

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