Mulher, rosto de Deus para a sociedade

É visível a contribuição da mulher na missão evangelizadora da Igreja por meio da participação ativa nas mssas, nas Cebs, nas pastorais, movimentos, conselhos pastorais, serviços e organismos, também na vida religiosa

Com frequência o Papa Francisco tem se manifestado com relação ao valor da mulher para a família, para a Igreja e para a sociedade, convidando a humanidade a uma profunda reflexão sobre o papel e a presença da mulher no mundo. Aos três de março de 2013, no Vaticano, Francisco falou: “As primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor”.

É nobre e belo dizer que a presença e a atuação amorosa da mulher na família e na Igreja têm comunicado o rosto de Deus para toda sociedade. O cuidado com a vida, algo característico, que lhe é próprio, transcende o mundo do trabalho, da política, da educação, da solidariedade social e do zelo pelo meio ambiente.

A mulher é figura importantíssima na história da salvação nos recorda as Sagradas Escrituras. Maria, Mãe de Jesus é figura central da Nova Aliança e a exemplo dela toda sua descendência coloca-se a serviço do cuidado com a vida em plenitude fazendo acontecer na história a vontade maternal de Deus: o cuidado com os seus filhos e filhas. Graças a esta herança depositada no coração das mulheres a salvação de Deus se realiza no mundo, e assim, a missão das mulheres: “mães e mulheres” se torna expressão do rosto de Deus a toda humanidade.

Portanto, não é possível falar da dignidade da mulher e do seu papel na Igreja, sem falar de Maria, Mãe de Jesus, a primeira discípula e missionária do Pai. O Catecismo da Igreja Católica diz que Maria nos precede na santidade: “a esposa sem mancha nem ruga”.

Certo dia, de maneira bem-humorada, o Papa Francisco afirmou “A Igreja é mulher. É ‘a Igreja’, não ‘o Igreja’”. É certo que Deus nos criou homens e mulheres à Sua imagem e semelhança, mas diferentes e complementares, pois todos e todas possuem um papel fundamental e importante na Igreja e na história.

É visível a contribuição da mulher na missão evangelizadora da Igreja por meio da participação ativa nas Missas, nas Cebs, nas pastorais, movimentos, conselhos pastorais, serviços e organismos, também na vida religiosa.  Ao participar e animar as comunidades são protagonistas de uma “Igreja em saída”, marcando sua presença na vida do povo de Deus por meio da sensibilidade, ternura, empatia, doação e serviço. Vejamos a reflexão do Papa Francisco: “Eu gostaria de ressaltar que a mulher tem uma sensibilidade particular pelas ‘coisas de Deus’, sobretudo para nos ajudar a compreender a misericórdia, a ternura e o amor de Deus por nós” (12 de outubro de 2013).

No Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, aprovado em 2016, os Bispos escrevem: “As mulheres contribuem de forma indispensável na sociedade e nas responsabilidades pastorais. Todavia, a Igreja reconhece que ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”.

Com toda certeza as mulheres exercem um papel inspirador de fé e coragem na Igreja e na sociedade, sendo verdadeiras protagonistas da história de integração, superação e sinodalidade. Destaque especial merece, também,  suas lutas e conquistas ao longo da história por meio da participação de Movimentos Sociais, Comissões, Conselhos, Associações, representações nos poderes legislativo e executivo, dentre tantas outras organizações que lutam e defendem os direitos das mulheres. Esses espaços favorecem na discussão e ajudam na construção de uma cultura sólida de valorização da mulher, fazendo com que seu papel seja cada vez mais respeitado e reconhecido  na família, no mundo do trabalho, na ciência, na educação, na política, na Igreja e na sociedade.

Que todos nós, homens e mulheres, criados à imagem e semelhança de Deus, iluminados pelo Espírito Santo, possamos contribuir na construção seu reino, na família, na Igreja e na sociedade, sendo verdadeiras testemunhas do seu amor misericordioso que nos ama com “Coração de Mãe”.


(*) Cleusa Aparecida Rodrigues Garcia participa da Paróquia Santo Cura d’ Ars, Paiçandu, é conselheira do Conselho do Laicato (CNLB) e servidora da Câmara Municipal de Paiçandu

Ilustração: Freepik

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