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Um teste para Tarcísio

Seu jogo ampara-se num preconceito segundo o qual “bandido bom é bandido morto.” Não há provas de que todos os 43 mortos fossem bandidos, mas eram todos pobres

De Elio Gaspari, em O Globo:

Diante da repercussão da morte de 43 cidadãos na Baixada Santista, o governador Tarcísio de Freitas desabafou: “Pode ir na ONU, no raio que o parta, não tô nem aí.”

Esse é seu jogo e está jogado. Ampara-se num preconceito segundo o qual “bandido bom é bandido morto.” Não há provas de que todos os 43 mortos fossem bandidos, mas eram todos pobres.

A qualquer momento o doutor pode entrar na pista para a sucessão presidencial de 2026. Como faltam quase dois anos, ele terá tempo para cuidar de outro caso de sua jurisdição.

O ex-tenente-coronel da PM paulista José Afonso Adriano Filho, encarcerado no presídio do Tremembé (SP), onde cumpre desde 2017 uma pena de 52 anos por peculato e fraude em licitações, disse o seguinte ao repórter Rogério Pagnan:

“Todas as unidades (gestoras executoras da PM) têm caixa 2. Todas (as 104) têm. Quem falar que não tem está mentindo.”

As denúncias do ex-tenente-coronel foram investigadas pela PM e arquivadas. Vá lá. Mas Adriano argumenta que a Corregedoria nunca rastreou o dinheiro das empresas vencedoras de licitações, nem as contas dos oficiais que denunciou. Ele informa que tem 194 documentos para provar o que diz e que entregou 14 aos investigadores em 2017, quando negociava uma delação premiada. Ela não foi aceita.

Tarcísio pode “não estar nem aí” para a ONU, mas pesa sobre a fala de Adriano uma urucubaca do presidente francês Georges Clemenceau (1841-1929) e vale repeti-la: “A Justiça Militar está para a Justiça assim como a música militar está para a música”.

Afinal, o bordão segundo o qual “bandido bom é bandido morto”, não prevê que morram só pobres.

Foto: Governo do Estado de São Paulo

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