O tombo de um herói de argila

Seu mandato, construído a partir de argila de baixa qualidade, está por se desfazer. Já pequeno, Moro não tem mais o aplauso público. Cassado e inelegível, viverá o ostracismo e terá sobre os ombros o peso de ter levado o Brasil à beira do abismo. Tanto o econômico quanto o democrático.

Do jornalista Valdir José Cruz:

Sérgio Moro saiu de sua pequenez reacionária para o estrelato nacional. Foi um salto mais rápido do que o de um medíocre qualquer que vence outros medíocres no medíocre BBB.

Moro mostrou-se despreparado desde sempre. A cada entrevista, um massacre na nossa língua pátria. A cada operação da Lava-jato, um massacre no nosso Código Penal e nas nossas garantias constitucionais. A cada sentença, um massacre na ética, no Direito e na honra alheia.

Moro, mito de argila, queria fama, poder e prestígio. Para isso, tinha jornalistas de estimação (aqueles que envergonham a nossa profissão). Para eles, passava “informações” exclusivas, que, pouco tempo depois, descobriu-se serem fakenews.

Esse Moro, cidadão probo e intelectual, autor de uma das palavras mais usadas nos últimos anos, a tal de conje, mostrou também que ele não era lá muito, digamos, homem de palavra. Lutou, usando e abusando dos golpes baixos, para tirar o favorito da eleição presidencial de 2018.

Com suas atitudes, atiçou os adormecidos fascistas. Um deles, de baixo QI, como todos; violento, como todos; racista e preconceituoso, como todos, foi eleito presidente. E lá foi Moro, ser ministro de um desqualificado (os iguais se atraem). Ficou pouco tempo. Quis aparecer mais que o “mito” e acabou demitido.

Entrou na política pelas mãos do então senador Álvaro Dias. Traiu seu padrinho. Mudou de partido. Virou senador. E na prestação de contas da campanha, tal e qual na Lava-jato, fez lambança.

Seu mandato, construído a partir de argila de baixa qualidade, está por se desfazer. Já pequeno, Moro não tem mais o aplauso público. Cassado e inelegível, viverá o ostracismo e terá sobre os ombros o peso de ter levado o Brasil à beira do abismo. Tanto o econômico quanto o democrático.

Na história, será apenas uma nota de rodapé.

O julgamento que pode levar à cassação de Sérgio Moro começa nesta segunda, primeiro de abril, dia da mentira. Data apropriada para quem usou mentiras para fazer o que fez.