Concebido durante a gestão do prefeito Adriano Valente, que definia o local como ‘parque do povo’, o interior do Parque do Ingá agoniza, enquanto seu entorno é festivo, alegre, musical, comercial, divertido…
Abandonado. Essa é a expressão que resume a situação do Parque do Ingá, protegido por lei e incensado por plano de manejo elaborado, revisado e atualizado ao longo das últimas duas décadas. Documentos vistosos, extensos, completos e repletos de detalhes, gráficos, números, medidas, considerações, sugestões… Enfim, material robusto e assinado por especialistas das mais diversas áreas e, portanto, sugestivo em soluções. Resultado disso tudo: nada!
O parque japonês, já tantas vezes reformado, mais uma vez está lá, com obras sendo realizadas há tempos sem avançar. Não se sabe exatamente o que está em execução, mas tem buraco e pedra para todo lado e tapumes com portão. Um tanto estranho o cenário de abandono e absoluta desorganização. Pior é o lago, cada vez minguando mais em volume, com a lâmina desgarrada das margens e recuando para formar uma poça.
Muito se fala sobre a recuperação do lago. Vamos apenas lembrar de duas medidas mais ao alcance da memória: em 2022, a prefeitura anunciou perfuração de dois poços profundos nas imediações do parque que, a propósito de minimizar riscos de inundações, como aquelas que levaram parte da pista emborrachada, também ajudariam a recuperar as nascentes do lago. A situação do lago sugere fracasso da iniciativa, pelo menos na perspectiva do segundo objetivo.
Em 2023, ‘estudo preliminar’ contratado pela prefeitura junto a UEM, indicava solução para o problema, com ‘desvios de canais’ a partir de tubulações que funcionariam como vertedouros, numa tentativa de captar águas limpas que chegariam ao lago sem contaminação. Os avanços dependeriam da prefeitura e, portanto, o projeto não previa custos e muito menos prazo. Já se passaram mais de um ano e nada.
Não me esqueci da gruta. Outra referência do parque, abrigo para estátua de Nossa Senhora Aparecida, que chegou de carro em Maringá em 1971, depois do avião do então governador Leon Peres ser obrigado a pousar em Londrina em função das chuvas, a gruta é outro cenário de abandono, esquecido e ignorado. Não se tem na lembrança do gestor sua história de milagres e de peregrinação. Até a igreja parece não se importar mais o que já foi um santuário.
Concebido durante a gestão do prefeito Adriano Valente, que definia o local como ‘parque do povo’, o interior do Parque do Ingá agoniza, enquanto seu entorno é festivo, alegre, musical, comercial, divertido… A atual gestão caprichou no alambrado, na iluminação e no estímulo à integração social aos domingos. Bonito de se ver e até reconhecer. Mas dentro, a situação só piora. O abandono é apenas o cenário mais visível de um problema ainda pior: o descaso!
(*) Edivaldo Magro é jornalista
