Vale-tudo eleitoral

Começa a fase da campanha em que os escrúpulos são o de menos

Nestes dias de vale-tudo eleitoral, que incluem cancelamento de pesquisa já contratada, apela-se ao que puder. Como uma suposta pesquisa do “Verídico Instituto”, tão verídico quanto a moralidade de alguns políticos. A empresa, que não existe, fez circular em aplicativos de mensagem uma relação de 23 nomes que sobressaíram junto a supostos 710 eleitores (coincidentemente, mesmo número a ser ouvido pelo Paraná Pesquisas, que cancelou seu levantamento para prefeito no mesmo dia em que começou as entrevistas). Obviamente, fake news, propaganda eleitoral disfarçada de pesquisa não registrada e, por isso mesmo, nunca realizada.

Já uma emissora de rádio da Frequência Modulada de Maringá realizou pela segunda vez uma enquete em que colocou apenas os nomes de dois dos cinco candidatos a prefeito. Embora a direção diga que era para consumo interno, a emissora já tinha contratado ao menos uma vez um instituto de Curitiba para o mesmo fim. A enquete, irregular, foi suspensa porque o coordenador-geral da campanha do PSD, Hudson Guimarães, convocou os cargos comissionados por mensagem de aplicativo: “Pessoal está acontecendo uma enquete da Maringá FM e precisamos da participação de todos para demonstrar nossa união junto com o Scabora 55. Basta digitar “eleições” no contato de WhatsApp Que vou enviar abaixo e seguir as instruções! Claro, nossa opção de intenção de voto é Edson Scabora (PSD)”.

De acordo coma legislação, “é vedada, a partir da data prevista no caput do artigo 36 da lei 9.504/1997, a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral”. A data a partir da qual não se pode fazer enquete eleitoral é 15 de agosto. A lei fala em “realização de enquetes” e dá o exercício do poder de polícia contra a “divulgação de enquetes, inclusive com a expedição de ordem para que seja removida, sob pena de crime de desobediência à Justiça Eleitoral”. Apesar disso, a emissora pensa em fazer uma terceira enquete.