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Feriado do Dia da Consciência Negra

Não nos esqueçamos que o Brasil é campeão mundial em desigualdade social e os descendentes de escravos são os que mais percebem esta desigualdade

A criação do Dia da Consciência Negra e sua expansão como feriado é uma forma de promover reflexão sobre o legado da escravidão e reafirmar a importância da luta pela igualdade e pelo reconhecimento da contribuição dos povos pretos na história e na cultura brasileiras.

A escravidão negra no Brasil existiu por mais de 300 anos, desde o período colonial, passando por todo o período imperial e, na prática, chegou até aos calcanhares da República.

Lembremos que a República logo se apressou a indenizar não os escravos libertos, pelas mazelas sofridas, mas os senhores de escravos pelos prejuízos que lhes foram causados pela abolição.

A escravidão perdura até os dias de hoje, dissimulada nas tais “condições análogas” que fazem parte do nosso noticiário cotidiano.

Cerca de 6 milhões de africanos foram trazidos à força para o nosso pais e aqui escravizados. O trabalho deles foi a força motriz de todos os principais ciclos econômicos brasileiros: a começar pelo ciclo do açúcar, depois o ciclo do ouro e também o ciclo do café. Essa força motriz gerou riquezas que fomentaram a industrialização do Brasil.

Esses milhões de escravos e seus descendentes influenciaram fortemente a formação de nossa cultura, embora não percebamos isto em nosso dia-a-dia. Influenciaram a nossa língua, nossa culinária, nossa música, nossa dança, nossa religiosidade, dentre tantas outras contribuições.

Aliás, a religiosidade de matriz africana, que tanto nos influenciou, é perseguida e atacada em nosso país ainda nos dias atuais, diferentemente da religiosidade europeia trazida pelas congregações aliadas ao Reino de Portugal.

No último Censo IBGE, em 2022, a população brasileira que se autodeclarou negra ou parda foi de 112,7 milhões de pessoas, o que corresponde a 55,5% da população. Metade do país é descendente direta de escravos africanos.

Não nos esqueçamos que o Brasil é campeão mundial em desigualdade social e os descendentes de escravos são os que mais percebem esta desigualdade. Isto é comprovado pelos péssimos índices sociais experimentados pela população preta, quanto ao acesso à educação e às boas oportunidades de emprego, dentre outros. Isto também se reflete na população carcerária negra, que representa cerca de 70% dos presos no Brasil.

É esta desigualdade que os movimentos sociais tentam mostrar e discutir com o resto da sociedade. O feriado da Consciência Negra vem para contribuir para este processo. Assim espero.

No Brasil, há 13 feriados nacionais. Além do feriado do Dia da Consciência Negra, há 4 feriados religiosos católicos, 4 cívicos, além do Primeiro de Ano, Carnaval, Dia do Trabalho e de Finados.

Nos Estados Unidos da América, principal economia do planeta, os feriados são mais do que apenas dias de folga, eles refletem a história, a cultura e os valores daquele país. Dos 11 feriados nacionais americanos, dois são relacionados à memória dos povos negros:

■ Nascimento de Martin Luther King (15/01)
■ Fim da Escravidão nos EUA (19/06)

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