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Odorico Paraguaçu

Ou como acontece o final de mandato em Sucupira

Numa sala já vazia, desprovida de seus espalhafatosos enfeites, o prefeito Ulisses Maia gravou um vídeo nesta manhã, vetando o aumento de salário do futuro prefeito, secretários e vereadores.

À primeira vista, trata-se de uma medida louvável, quase heróica. Contudo, é preciso olhar além da superfície. Durante todo o mandato, Ulisses manteve uma relação bastante amigável com a Câmara Municipal, aprovando projetos sem grandes questionamentos e, raramente, exercendo o poder de veto. Em troca, a Câmara também lhe retribuiu, garantindo a aprovação de iniciativas de grande envergadura, como o polêmico Eixo Monumental e outros “elefantes brancos” que drenaram consideráveis recursos públicos.

Agora, no apagar das luzes, Ulisses decide confrontar o Legislativo em um ato que cheira a politicagem. A tentativa de soar econômico soa contraditória quando lembramos do inchaço de secretarias e cargos comissionados em sua gestão, além dos generosos gastos com viagens nacionais e internacionais.

Embora o veto seja, em essência, positivo para o cidadão, ele carrega nas entrelinhas uma postura que beira o populismo. Ulisses parece ansioso para encerrar o mandato como o grande defensor do povo, mas essa ânsia de protagonismo pode custar caro. Vale lembrar que é a Câmara quem aprova as contas do prefeito. Construir inimizades agora, às vésperas de um futuro político que não está garantido, é um tiro no próprio pé.

Minha torcida, no entanto, é que os vereadores deixem o assunto no lugar certo: morto e enterrado, como o futuro de alguns políticos que subestimam a memória da população.

Não falando do atual prefeito, mas fica um conselho aos políticos que se perdem em sua própria vaidade: “Quem semeia ventos, colhe tempestades.”

Da sua sempre atenta leitura das entrelinhas,
Madame Savage

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