Presa ou predador?

Convenhamos, quem não sabe que, por trás de um gesto de moralidade, sempre tem um truque de bastidor?

Meus caros leitores, hoje a fofoca é quente o suficiente para fazer a poeira subir nas calçadas das obras inacabadas de Maringá. Ulisses Maia, o prefeito em fim de mandato, resolveu fechar com chave de ouro: vetou o aumento salarial para os futuros prefeitos, secretários e vereadores da cidade. A justificativa? A velha história do “respeito ao interesse público”. Mas, convenhamos, quem não sabe que, por trás de um gesto de moralidade, sempre tem um truque de bastidor?

Nos corredores do Palácio Iguaçu, a expectativa era de que Ulisses fosse acomodado em uma secretaria de peso no governo estadual. O nome dele já estava na lista, mas com esse veto inesperado, a confiança dos aliados murchou como flor sem água. O governador Ratinho Junior, que antes parecia disposto a abrir as portas do gabinete para o prefeito, agora parece mais distante. Será que Ulisses estava jogando o jogo dele, ou o jogo estava sendo jogado contra ele?

Sem um cargo garantido e sem grandes aliados ao seu lado agora, Maia deve flertar perigosamente com a oposição. Nos bastidores, o rumor é de que ele pode estar buscando refúgio nos braços da esquerda.

Dentro do Palácio Iguaçu, a palavra é clara: “confiança zero”. O que parecia ser um caminho suave para Ulisses agora mais se assemelha a um campo minado, onde cada passo é uma roleta russa política. Porque, como todo bom jogo, na política, os heróis de hoje são os esquecidos de amanhã. E como bem diz o velho ditado: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

No fim das contas, tudo acabará lá no Posto Ipiranga, e a estratégia lá é uma só. Como uma cobra que, antes de engolir, sabe sorrir, e trazer a presa para perto. E Ulisses pode muito bem ser a presa ou o predador, mas quem viver, verá.

Da sua domadora de répteis e políticos, Madame Savage.

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