A casa do meu avô – Carlos Lacerda


Breves resenhas de livros para ler em 2025
Um livro de memórias e reflexões. O autor se recorda dos tempos em que viveu na casa do avô. Mas, ao mesmo tempo, se refere a fatos da vida adulta. Se o Brasil conheceu um Lacerda altivo, imenso orador e destruidor de presidentes, no livro, deparará com um homem de recordações lúdicas. Uma espécie de inventor das pequenas coisas. Conforme diz na página 12: “Ninguém é livre a não ser, talvez, as minhocas”.
Divididos em 22 capítulos, o livro também é um compêndio filosófico. Ele emenda um assunto da memória com uma reflexão sobre Levy-Strauss, por exemplo. Não se inibe em avançar à metafísica, ao questionar: “De que matéria se fazem os sonhos”? E assim prossegue a vida na chácara, junto ao avô, que ele descreve: “De repente me encontrei pensando nesse avô que eu tive, de barbicha em pera, um quisto feito ovo de pombo do lado direito da fronte, um chapeuzinho de feltro amassado no alto da cabeça”…
Gostei de conhecer este lado de Lacerda. Um sujeito sentimental, que se debruça sobre o passado. Me pareceu tudo vindo de uma certa solidão, que ele revela: “A solidão está em nós como uma pedra obtusa”. Não lhe faltam elogios na contracapa. De Drummond, que, entre outras coisas, viu no livro “um despertador de vivências brasileiras”, ao jornalista Fernando Pedreira, que resume: “Um livro na linhagem de Romain Rolland (biógrafo francês)”. Valeu a leitura. Primeiro livro do ano.