De fábrica de helicópteros a prainha artificial, as conversas dos políticos que ficaram nas promessas vazias só engambelaram mesmo meia dúzia de deslumbrado
Maringá é considerada uma das melhores cidades do País em qualidade de vida, segundo avaliações baseadas em indicadores como saúde, educação, segurança e infraestrutura urbana. Pelo menos essa é a versão que agrada e enobrece os sucessivos administradores municipais, muito embora o munícipe tenha suas ponderações com referência à eficiência da gestão pública. Assim como em qualquer parte dessa próspera, mas continuamente maltratada nação, os problemas se fazem presentes sem que efetivamente os eleitos consigam solucionar satisfatoriamente as principais demandas da população. Nota-se que na maioria das situações, a questão política acaba sendo fator de dissonância entre os responsáveis em proporcionar as condições ideais de desenvolvimento. Considerando que os 26 municípios dessa região metropolitana abrigam uma população que supera 850 mil habitantes, a responsabilidade dos representantes públicos se multiplica proporcionalmente ao fluxo de veículos e pessoas, que diariamente buscam os serviços especializados na Cidade Canção.
É sabido que um agrupamento urbano dessa magnitude exige investimentos à altura. Também é de conhecimento público que as intempéries, em determinadas épocas do ano, acarretam atrasos pontuais em obras consideradas urgentes. Mas nada justifica a existência e mais grave ainda, a perenidade interminável da imensidão de buracos na malha viária dessa charmosa, florida e arborizada cidade. Verdadeiras crateras, que causam transtornos e prejuízos aos proprietários de veículos. Compreende-se que a pavimentação sofre desgaste constante e ininterrupto por conta do tráfego intenso. O que não se admite é o descaso atual com os usuários. Vias importantíssimas, fundamentais para que o fluxo de veículos ocorra normalmente apresentam manutenção inadequada, colocando permanentemente a integridade física do cidadão em risco. É importante salientar ainda que existem vias reconhecidamente problemáticas, como é o caso da Avenida Sinclair Sambatti, o chamado Contorno Sul. Originalmente concebido para funcionar como uma rota alternativa e desprovido de acostamento, seu frágil pavimento apresenta deformações recorrentes por não suportar o tráfego pesado, mais um motivo para ser contemplado com manutenção permanente.
A conhecida tática do anúncio midiático de grandes obras e investimentos já caiu em descrédito, porque o pagador de impostos carece de resultados imediatos e factíveis. De fábrica de helicópteros a prainha artificial, as conversas dos políticos que ficaram nas promessas vazias só engambelaram mesmo meia dúzia de deslumbrados. O discurso empolado e recheado de hipérboles contrasta com a realidade do cotidiano. Quem enfrenta o transporte coletivo todo dia, quem empreende e gera postos de trabalho, quem produz riqueza e renda, quem escolheu viver e criar seus filhos nessa cidade acolhedora exige medidas assertivas. A omissão e a incompetência não deveriam figurar no currículo dos mandatários, porque sempre há tempo para se mudar a realidade das coisas, desde que exista boa vontade e determinação. Até lá, resta ao cidadão comum redobrar a atenção ao desviar-se dos buracos e principalmente, das promessas vazias daqueles que transitoriamente ocupam o poder. Quiçá no futuro os direitos elementares dos contribuintes sejam plenamente respeitados.
(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR.