Corrupção de milhões

Jornal catarinense mostra como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC; empresa envolvida, com outro nome, atua em Maringá

Considerada a maior investigação contra a corrupção em SC, Operação Mensageiro prendeu 17 prefeitos; levantamento exclusivo do jornal ND Mais, de Florianópolis, mostra o que mudou nas cidades e o redesenho pós-eleições.

Cinco fases, 50 presos, incluindo 17 prefeitos e três vices. A Operação Mensageiro, que investiga o maior esquema de corrupção da história do poder público de Santa Catarina, trouxe à tona uma realidade que era pouco conhecida no estado: o desvio sistemático de verbas milionárias em prefeituras.

Relata a reportagem que os primeiros fatos que deram origem à investigação foram revelados em 2021, durante a Operação Et Pater Filium, que apurou outro grande esquema de corrupção no Planalto Norte catarinense. Dentre eles, fraudes a licitações e recebimento de propina proveniente do Grupo Serrana Engenharia, que também atuava em outras cidades catarinenses.

O Grupo Serrana, que mudou seu nome para Versa Engenharia Ambiental após o início da operação, atua nos setores de coleta e destinação de lixo, de abastecimento de água e de iluminação pública em diversas regiões de Santa Catarina e em outros estados do país. A partir das investigações dos contratos com a Serrana, chegou-se às prefeituras suspeitas de participarem das irregularidades, iniciando-se a Operação Mensageiro.

O nome da operação deriva de um empresário, um dos primeiros presos. Segundo a investigação, ele atuava com o codinome “mensageiro” e seria o responsável por entregar a propina da empresa Serrana Engenharia aos agentes públicos envolvidos. As investigações apontam que o esquema começou em 2014, diz a reportagem, bem detalhada, publicada originalmente no mês passado pelo ND+ e reproduzida pela Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente). A matéria cita a condenação de um dos prefeitos a 41 anos e a resposta dada nas urnas aos envolvidos que disputaram as eleições de 2024, como o ex-prefeito de Tubarão, que de 35.023 votos fez apenas 919 para vereador, ficando na suplência.

Aditivos – Ex-Serrana, a Versa Engenharia Ltda. presta serviços ao município de Maringá em licitação vencida em 2022 e de acordo com o Diário Oficial, teve autorizados aditivos para dois contratos de prestação de serviços. Num, de 2022, o reajuste contratual foi superior a R$ 635 mil, totalizando R$ 15.843.720,00. Em outro, também de 2022, o aditivo foi de R$ 164 mil, totalizando R$ 4.094.700,00. Ambos os aditivos foram autorizados em 24 de março, mas publicados na sexta-feira da semana.

Imagem gerada por IA/ND+