Maringá, a “melhor” cidade para se morrer?

A falta de estrutura mínima e de condições para os trabalhadores da saúde ofuscam seu atendimento que, raríssimas vezes, sai do padrão
Por Luiz Fernando:
Domingo estive na UPA Zona Norte com meu pai. Confesso que foi uma experiência aterrorizante.
Para um governo municipal que se elegeu prometendo mais duas Unidades de Pronto Atendimento – “Upas Já!” e “Maringá merece mais!”, não cuidar sequer das que existem é uma vergonha, pra não dizer outra coisa.
A situação é degradante: Paredes quebradas, banheiros sem as mínimas condições de higiene, equipamentos quebrados por todo lado, espaços de consultórios improvisados, salas de espera com cadeiras sem o mínimo de conforto para quem já está doente – percebe-se que são “sobras” de outros espaços públicos. Ao lado de fora uma tenda improvisada há anos serve de espaço para espera.
O mau cheiro invade todo o interior de um local que deveria ser referência em higienização e limpeza. Percebe-se a falta de funcionários para o trabalho. Médicos e enfermeiros fazem o possível para dar o mínimo de atendimento digno às pessoas que, claro, já estão doentes e se estressam com tamanho descaso do poder público. Os conflitos e “barracos” são quase inevitáveis.
Há alguns dias o prefeito esteve no local, fez vídeo para suas redes sociais, mas acredito que não arriscou ficar ali por muito tempo, fazer um exame, tomar uma medicação ou aguardar atendimento.
Com o passar do tempo, mais gente chegando, mais corre corre, mais nervos à flor da pele. A falta de estrutura mínima e de condições para os trabalhadores da saúde ofuscam seu atendimento que, raríssimas vezes, sai do padrão.
Poderíamos resumir a situação num slogan que impregnou a campanha eleitoral de 2024: “Maringá (realmente merecia e) merece mais!”.