A nova tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos importados do Brasil é um ataque direto à estabilidade econômica de estados produtores e exportadores como o Paraná, diz deputado Luiz Nishimori
De LUIZ NISHIMORI
Dia 1º de agosto pode entrar para a história como um divisor de águas nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, e não pelos melhores motivos. A nova tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos importados do Brasil não é apenas uma medida agressiva de protecionismo: ela é um ataque direto à estabilidade econômica de estados produtores e exportadores como o Paraná, que liderou as exportações no Sul do país no primeiro semestre, com R$ 55,8 bilhões em vendas externas.
Esse tarifaço representa mais do que um embate entre governos. É a população que pagará o preço. Empresas ameaçadas, empregos em risco, investimentos suspensos. Falta de diálogo e diplomacia no tratamento desta questão. E a consequência é grave: estamos perdendo espaço, respeito e oportunidades no cenário internacional.
Como deputado federal e membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, acompanho de perto os efeitos da má condução diplomática brasileira. Por anos, atuei ativamente na atração de investimentos internacionais para o nosso país, com foco especial na nossa região, como Maringá e o Noroeste do Paraná. Sei, por experiência direta, que relações internacionais sólidas e confiáveis são o motor do desenvolvimento sustentável.
A imposição dessa tarifa pelos EUA é sintoma de uma conjuntura que exige diálogo firme, técnico e estratégico. E o Brasil, infelizmente, está falhando nesse aspecto. Negociações internacionais exigem preparo, continuidade e visão de futuro. Estamos assistindo a um desmonte da política externa que era baseada em acordos multilaterais e respeito mútuo, valores que sempre sustentaram nosso crescimento no comércio exterior.
A resposta para esse desafio não está no confronto, mas sim na construção. Precisamos reestabelecer pontes com os Estados Unidos, abrindo canais diplomáticos sólidos para reverter essa tarifa ou, ao menos, mitigar seus impactos. Ao mesmo tempo, devemos acelerar a diversificação de nossos parceiros comerciais, fortalecendo relações com a União Europeia, países asiáticos e latino-americanos.
É urgente também um plano de apoio ao agronegócio e à indústria exportadora, que são os motores da economia do Paraná e sustentam milhares de famílias. Não podemos permitir que uma decisão tomada em Washington sabote anos de trabalho, inovação e geração de emprego em nosso estado.
Por isso, reafirmo meu compromisso com o Paraná e com o Brasil. Estarei em Brasília, nos fóruns internacionais e nos espaços de diálogo, defendendo os interesses do nosso povo e exigindo que o governo federal trate essa situação com a seriedade que ela merece. Nossa economia, nosso prestígio internacional e o futuro das nossas próximas gerações dependem disso.
O Brasil precisa voltar a negociar com maturidade, competência e respeito.
(*) Luiz Nishimori é deputado federal e membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional
