Doadora de campanha de Tarcísio é suspeita de lavagem de dinheiro do PCC

Assessoria do governador diz que ele não tem vínculo com Maribel Golin, que doou meio milhão de reais para sua campanha

A Polícia Federal investiga a pecuarista Maribel Schmittz Golin, 59, por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Maribel foi uma das maiores doadoras da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo em 2022. Ela repassou R$ 500 mil, divididos em duas transferências, tornando-se a sexta maior financiadora do então candidato. A informação é de Bruno Ribeiro, da Folha de S. Paulo.

Segundo a PF, Maribel aparece em ao menos quatro transferências financeiras com Willian Barile Agati, considerado um dos principais operadores da facção criminosa paulista e alvo da Operação Mafiusi, deflagrada em dezembro de 2023. A investigação identificou movimentações suspeitas entre a empresária e Barile, como a venda de imóveis em valores muito superiores ao declarado oficialmente. Em uma das transações, um apartamento avaliado em R$ 881 mil foi vendido por R$ 3 milhões.

O relatório da PF destaca que Maribel “mantém uma relação próxima” com Barile e que as movimentações sugerem “lavagem de dinheiro clássica, relacionada a imóveis”. Além disso, quatro empresas em nome da pecuarista, todas sem funcionários registrados, movimentaram mais de R$ 1,4 bilhão entre 2020 e 2022, o que chamou a atenção dos investigadores.

.

A investigação da PF teve início após a apreensão de dois contêineres com 554 kg de cocaína no porto de Paranaguá, em 2020. A carga teria como destino Valência, na Espanha, e estava ligada a um esquema entre o PCC e a máfia italiana ’Ndrangheta. O marido da pecuarista, Joselito Golin, também é citado na investigação. Um colaborador da PF relatou que ele atuava com Barile na lavagem de dinheiro por meio da Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo pastor Valdemiro Santiago. Segundo o depoimento, Joselito “esquentava dinheiro dentro da igreja”. Leia mais.

Foto: Marcelo S. Camargo/Gov.SP