No meio do caminho tinha um Brasil


Trump joga tarifa em cima dos outros como quem joga milho pra galo brigar
Quantos remakes, desta mesma história velha, ainda teremos que assistir? Ao menos se a história fosse boa… sempre um novo velho plano de dominação, frustrado! Mas desta vez, até que foi diferente – enquanto grandes e desenvolvidas nações corriam para conseguir algum desconto, o Brasil, visto como conquistado, ecoou um brado diferente, algo no estilo: minhas terras, minhas regras… Mas quem pode culpar o rato de tentar, quando quem deveria guarnecer as muralhas, lhe aponta a entrada secreta?
Bestializado, recordei de quando Renato Russo, me convidou para ir com ele procurar um lugar longe dessa gente que não se respeita…
— dessa gente que finge ser forte oprimindo,
— que impõe para esconder sua própria fraqueza,
— que jamais entenderá a resistência poética de um povo que canta Legião Urbana como se fosse hino de guerra.
Mas cá estamos, no século XXI, cercados de Trumps, Tralhas e Tarifaços que acham que o mundo gira em torno de seus umbigos inflamados.
Trump é dessa gente. Grita muito, ouve pouco. Quer respeito, mas não oferece. Joga tarifa em cima dos outros como quem joga milho pra galo brigar. Um pavão com síndrome de Napoleão e tiques de imperador global — só que sem a fineza de Alexandre, a cultura de Pedro II ou a coragem de um brasileiro que sobreviveu ao Plano Collor, que o acordou numa segunda feira tendo só o sorriso para recomeçar…
Foi-se o tempo em que éramos piada no exterior, hoje somos o café da manhã, o almoço, a janta, os metais raros, a madeira, o papel e muito mais…
Temos nossos problemas, é verdade! Mas acho que a essa altura o rato entendeu, que nenhum cérebro arrogante irá dominar o Brasil, porque o brasileiro é diferenciado, e o recado já está pra todo lado, no ritmo de samba.
É – tinha um Brasil, no meio do caminho…
Tinha — e continuará tendo.
porque nós resistimos,
porque nós lembramos,
porque nós sambamos.
E se for preciso, meu caro, nos defenderemos.
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
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