Lavagem de dinheiro

Começam a ser conhecidas as empresas que lavavam dinheiro para o PCC, resultado de megaoperação realizada hoje
Na megaoperação cumpre mandados de prisão contra empresas do setor de combustíveis e do mercado financeiro, que são acusadas de serem usadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) para lavagem de dinheiro, o Paraná é um dos estados onde a ação acontece. Ao menos 46 postos de combustíveis estariam envolvidos no esquema, que teria desviado ao menos R$ 23 bilhões, segundo a CNN.
De acordo com o UOL, das empresas do ramo financeiro, há instituições de pagamento e administradoras e gestoras de fundos de investimento.
As instituições de pagamento seriam:
BK Instituição de Pagamento S.A.
Bankrow Instituição de Pagamento S.A.
Administradoras e gestoras de fundos de investimento
Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA
Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
Altinvest Gestão de Administração de Recursos de Terceiros LTDA
BFL Administração de Recursos LTDA
Banco Genial S.A.
Actual Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
Ello Gestora de Recursos LTDA
Libertas Asst S/A
Banvox Distribuidora de Títulos e Valores LTDA
Zeus Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
Brazil Special Opportunities Fund
Atena Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Olimpia Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
Minesotta Fundo de Investimento Imobiliário
Pinheiros Fundo de Investimento Imobiliário FII
Olsen Fundo de Investimento Imobiliário Responsabilidade Limitada
Mabruk II Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizados
Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
Participation Fundo de Investimento em Participações em Cadeias Produtivas Agroindustriais
Zurich Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Pompeia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Location Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Derby 44 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado
Los Angeles 01 Fundo de Investimento Imobiliário
Gold Style Fundo de Investimento em Direito Creditório Não Padronizado
Hans 95 Fundo de Investimento Multimercado e Investimento no Exterior
Celebration Fundo de Investimento em Participação Multiestratégia
Keros Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Fundo de Investimento Imobiliário FII Enseada
Fundo de Investimento Imobiliário Ruby Green
Fundo de Investimento Imobiliário Green Eagle
Pegasus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Paraibuna Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
Fundo de Investimento Imobiliário Toronto
Mam ZC Tesouro Selic FI Renda Fixa DI Soberano
Anna Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizado
Reag High Yield Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
Segundo a PF, fintechs são usadas para aproveitar brechas na regulação. Dependendo do valor movimentado, as quantias não são rastreadas pelos órgãos de controle e de fiscalização, sobretudo valores individuais de clientes da fintech.
Principal brecha é a utilização da conta-bolsão. Nela, uma conta da fintech em um banco comercial agrega todos os recursos de seus clientes, impedindo o rastreamento individualizado. Dessa forma, diz a PF, a instituição criminosa enviava dinheiro para postos de gasolina, além de envio de dinheiro para fundos de investimento.
Até onde se levantou em Maringá não foi cumprida nenhum mandado judicial. Uma relação de distribuidora circula em aplicativos de mensagem, mas ainda não há nada oficial. Uma delas seria de Umuarama.
Operações – A Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira duas operações simultâneas, Quasar e Tank, em vários estados, para combater a atuação de grupos criminosos na cadeia produtiva de combustíveis.
De acordo com a PF, as ações policiais, embora distintas, objetivam desarticular “esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro”. As investigações apuraram um sofisticado esquema que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.
“Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real”, diz a PF.
“Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos”, acrescenta.
Estão sendo cumpridos, no âmbito da Operação Quasar, 12 mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo: na capital paulista e nas cidades de Campinas e Ribeirão Preto.
A Justiça Federal autorizou o sequestro de fundos de investimento dos investigados, além do bloqueio de bens e valores até o limite de cerca de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
Operação Tank – Também deflagrada nesta quinta, os policiais federais cumprem desde cedo mandados judiciais contra integrantes de uma das “maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná”. Segundo a PF, a organização criminosa investigada na Operação Tank atuava desde 2019 e pode ter lavado pelo menos R$ 600 milhões,
“Movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central”.
Os criminosos utilizavam diversos artifícios para ocultar a origem dos recursos. De acordo com as investigações, eles faziam uso de depósitos fracionados, que ultrapassaram R$ 594 milhões. Isso era feito por meio de “laranjas, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços”.
O trabalho investigativo constatou também fraudes na comercialização de combustíveis, entre elas “adulteração de gasolina e a chamada ‘bomba baixa’, em que o volume abastecido é inferior ao indicado. Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba estavam envolvidos nessas práticas”.
Os agentes cumprem 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão nos estados do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro. “Foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, totalizando uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão”. (C/ Agência Brasil)
Posicionamento – A Trustee DTVM comunicou em nota que renunciou à administração de todos os fundos que foram alvos da operação Carbono Oculto nesta quinta-feira. A renúncia ocorreu antes mesmo da operação ser deflagrada, por decisão da área de compliance da Trustee DTVM por desconformidade de atualização cadastral identificada há alguns meses. A empresa tem processos rigorosos de diligência e constante averiguação das aplicações nos fundos e perfil de seus cotistas. Ressalta, ainda, que não possui qualquer relação pessoal com os investigados.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil