Multiplicação dos encômios e de custos

Câmara realizará sessão solene para entrega de brasão do municípío; na foto, vereador que pediu a sessão deitado sobre o que era um buraco, filmado por um drone para o qual pediu aeroporto

A Câmara de Maringá tinha até décadas atrás somente os títulos de cidadania honorária e cidadania benemérita como forma de reconhecer a contribuição de homens e mulheres que muito fizeram pela cidade. Aos poucos, porém, foram surgindo outros tipos de homenagem.

Criou-se o título de Mérito Comunitário foi criado, por resolução da mesa (não é lei), há 32 anos, para “personalidades locais que prestaram serviços relevantes à comunidade”, mas chegou a ser entregue a um ex-prefeito da região que foi preso. O brasão do município e a consagração pública vieram posteriormente, sendo a Comenda Dom Jaime Luiz Coelho a mais importante e deveria ter sido entregue a pouquíssimos.

Somente as entregas de título de cidadania e benemérita eram feitas em sessões solenes, especiais, assim como a da comenda; as demais homenagens eram feitas durante as sessões ordinárias (geralmente, no início), realizadas sempre às terças e quintas-feiras.

Abriu-se há algum tempo a possibilidade de que também o título de consagração pública também pudesse ser feito em sessão solene. Cada sessão fora das reuniões ordinárias implicam em custo adicional ao Legislativo, do cafezinho à iluminação, da compra de flores à segurança, passando por cinegrafista e horas extras, enfim, toda a estrutura da casa é mobilizada fora do horário das reuniões normais.

Agora, a tendência é que esses custos aumentem. Na semana que vem estão programadas duas sessões solenes. Uma delas, creiam, é para a entrega de brasões do município. É a primeira vez em pelo menos 15 anos que a cerimônia acontecerá em sessão solene – e a pedido do vereador Guilherme Machado (PL), o mesmo do aeroporto para drones, o mesmo que se deitou no asfalto para registrar que a prefeitura havia tampado uma cratera, e que aparece em vídeos como se fosse secretário municipal, cortando mato e fazendo reparos no pavimento. Por causa dele (que poderia estar “no mundo da lua”, segundo O Diário de Maringá), vai sobrar menos dinheiro para a Câmara devolver ao erário no final do ano.

Menos mal: um outro vereador, do PP, teve negado pela presidente Majorie Catherine Capdebosq (PP), o pedido para que a Câmara de Maringá realizasse uma sessão solene, com todo o aparato possível, durante o culto numa igreja evangélica, num domingo à noite.

E só para encerrar: na mais sessão solene promovida pela Câmara de Maringá, apenas dois dos 23 vereadores apareceram para prestigiar o evento. No caso, duas vereadoras. Faltaram “apenas” 21.

Reprodução/Instagram