Morreu Hermeto. O mago dos sons


Escrevi e publiquei esta crônica após o show de homenagem aos 80 anos de Hermeto, realizado no Teatro Paiol, em Curitiba. Naquele palco, vivi uma noite inesquecível, repleta de música, afeto e da genialidade que sempre o acompanhava.
Conheci Hermeto quando fui secretário de Cultura em Curitiba. Ele foi me visitar na FCC e depois me convidou para um jantar. Sempre generoso, divertido e inusitado, marcava cada encontro como se fosse uma celebração.
Ainda não temos a real dimensão de Hermeto na música mundial. Ele transformava tudo em som, com criatividade sem limites. VALEU, HERMETO.
Eu sei que nós vamos te amar por todas as nossas vidas, Hermeto
Eu cheguei cedo ao Teatro Paiol para o show Hermeto Pascoal 80 Anos, de João Pedro Teixeira e Convidados. Pelo menos quinze músicos estavam escalados e demonstraram, de forma magistral, como se faz música exemplar com violões, violas caboclas, triângulos, pandeiros, flautas, tambores, sanfonas e acordeões.
Enquanto eu aguardava o início, conversava sobre trabalho com Bete Carlos e Lilian Ribas. Quando Hermeto chegou com o filho, Fábio, o ambiente se transformou. Hermeto é sempre Hermeto: alegre, falante, carinhoso. Com ele não há encontros, há comemorações. Pouco depois, Aline Morena apareceu distribuindo beijos e alegria.
O anfitrião, João Pedro, muito simpático, deixou a passagem de som para nos cumprimentar. Também ele é um mago da música. Quem nunca o viu tocar não entende; quem já o viu, não precisa dizer nada. Durante o show, ao receber elogios carinhosos de João Pedro, Hermeto respondeu com humor: “Eu que me cuide…”, reconhecendo a posição central que o discípulo certamente assumirá na cena musical.
O palco do Paiol, naquele sábado 14 de junho, foi uma verdadeira catedral da música, mesmo com Hermeto na plateia. Cada configuração instrumental revelava o quanto ele é genial e como a música universal não tem fronteiras. Ao final, todos se reuniram para cantar parabéns. Então Hermeto sentou-se ao piano, improvisou uma composição inédita e, em seguida, tomou o microfone para conduzir uma espécie de pajelança com o público.
Mas um momento mágico merece lembrança especial: Wagner Tiso surgiu de surpresa no palco. O maestro estava em Curitiba para um concerto no Teatro Guaíra com a Orquestra Sinfônica do Paraná, também em homenagem a Hermeto, e se ofereceu para participar. Recordou a importância de Hermeto para a internacionalização da música brasileira e citou o conselho do mestre: evitar o excesso de notas e de técnica. Em seguida, sentou-se ao piano e anunciou que tentaria usar o menor número de notas possível. Tocou então uma canção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, dedicando-a: “Para todas as nossas vidas, Hermeto!”
Curitiba, no ano dos 80 anos de Hermeto.
Foto: Divulgação/Arquivo
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