Maioria dos vereadores de São Jorge do Ivaí impede ampliação do cemitério, cuja capacidade se esgotará em poucos meses, construção de ecoponto e implantação de viveiro
Cidade com população estimada pelo IBGE em 5.170, São Jorge do Ivaí enfrenta problemas com o cemitério municipal, que está com sua capacidade praticamente esgotada, e com local para o lixo não comum, como resíduos de construção civil. O prefeito Agnaldo Carvalho Guimarães (PSD), o Guina, reeleito em 2024, vem tentando resolver os dois problemas, mas tem encontrado dificuldades com a oposição na Câmara: cinco dos nove vereadores da cidade votaram contra os projetos que ampliariam o cemitério e permitiriam a construção de um ecoponto.
Além de não conseguir que o Legislativo vote favoravelmente a projetos que beneficiem a cidade, a administração foi denunciada pelos entulhos depositados irregularmente atrás do cemitério. O Ministério Público conseguiu determinação judicial para isolar o local, mas a situação continua sem solução. A mais recente tentativa de fazer o município resolver o problema foi em junho, quando o projeto de lei 12/2025, que previa a aquisição de imóvel para a ampliação do campo-santo, ecoponto, viveiro de mudas, hortas comunitárias e ainda a destinação adequada de resíduos vegetais picados para decomposição e restauração de área degradada, não foi aprovada por 5 votos a 4.
Os vereadores que votaram contrariamente não teriam justificado o voto. O presidente David Renan Costa Miranda dos Santos não foi encontrado para comentar a postura da maioria dos vereadores. O blog levantou que todos os estudos para a implantação das benfeitorias foram feitos, inclusive não havendo restrições de órgãos ambientais.
Em 2023 o Executivo tentou comprar um terreno em outro local, que serviria como ecoponto; denúncias barraram a iniciativa. Este ano, um primeiro projeto previa uma permuta de terras da prefeitura com o proprietário do imóvel rural ao lado do cemitério o que permitiria sua ampliação e a construção do ecoponto, mas os cinco vereadores votaram contra. Em maio o prefeito voltou a enviar um projeto, desta vez para adquirir 1,30 alqueire paulista por R$ 936 mil para a ampliação do cemitério, área destinada à destinação correta de resíduos de construção civil e outros materiais inertes, além de prever a implantação de um viveiro de mudas: implantar um ecoponto para separação e encaminhamento de materiais recicláveis, móveis inservíveis e correlatos, local para compostagem de resíduos vegetais (hortas comunitárias) e a destinação adequada de resíduos vegetais picados para decomposição, já que a prefeitura possui equipamento. A área degradada ao lado do campo-santo, onde há deposição inadequada de resíduos, um problema que se arrasta há décadas, seria restaurada.
“A proposta foi cuidadosamente embasada em laudos de viabilidade técnica e avaliações que indicam o correto valor de mercado do bom a ser adquirido. A Administração Municipal vem envidando esforços para aprimorar a infraestrutura local, não apenas no tocante ao sepultamento digno dos munícipes, mas também no que diz respeito ao correto manejo de resíduos sólidos e materiais inertes, à compostagem de resíduos vegetais e à proteção ambiental. Nesse contexto, a área a ser adquirida constitui solução estratégica, pois sua localização e características físicas são propícias à expansão do cemitério e à instalação de um ponto de coleta de resíduos, um espaço de triagem de recicláveis e um viveiro para produção de mudas, consolidando políticas públicas de preservação ambiental e promoção da saúde coletiva”, manifestou-se o prefeito Guina na mensagem enviada ao Legislativo.
“Embora o Município disponha de área vinculada à mesma matrícula do cemitério, parte dela, em tempos anteriores, foi usada de forma precária para o descarte de resíduos. Com a aquisição da nova área, esses resíduos poderão ser devidamente destinados na porção contígua que será adquirida, permitindo a recuperação e liberação do terreno já matriculado em nome do cemitério. Dessa forma, evita-se a complexidade de licenciar um novo cemitério e garante-se, de imediato, a expansão planejada, assegurando maior dignidade aos sepultamentos e atendendo à crescente demanda da população”, diz em outro trecho.
Apesar da mobilização dos vereadores favoráveis e de representantes da comunidade, o projeto não teve o apoio da maioria e foi rejeitado. Nas redes sociais foram dadas todas as explicações possíveis, mas a oposição permanece irredutível em possibilitar as melhorias. Os vereadores que defendem o desenvolvimento e pensam no futuro de São Jorge do Ivaí, uma das principais cidades da microrregião 9, manifestaram-se nas redes sociais.
Os vereadores Dico, Candeo, Caio e Pavoni explicaram o objetivo da proposta (veja ao final), que haveria uma permuta de terras entre o município e o proprietário do lado, mas não foi o suficiente para fazê-la ser aprovada.
Quando o segundo projeto seria votado no Legislativo, um novo vídeo convocou a população e voltou a explicar a proposta. Mesmo assim, a oposição manteve os votos contrários. A postura intransigente dos vereadores oposicionistas tem incomodado a população de São Jorge do Ivaí. “Será que não tem entre os cinco ninguém que pense no bem da cidade?”, questionou um morador, preocupado principalmente com o
