Ferrari, PCC e máfia italiana: os bastidores da Operação Mafiusi

Segundo a PF, os principais alvos integravam o núcleo financeiro da organização, responsável por movimentar e lavar o dinheiro do tráfico

De Mirelle Pinheiro, no site Metrópoles:

Carros de luxo, entre eles Ferraris, BMWs, Porsches, Mercedes e uma Harley-Davidson, além de relógios de grife e imóveis de alto padrão foram apreendidos pela Polícia Federal durante uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira.

A ação mira integrantes de uma máfia ítalo-brasileira com fortes ligações com o Primeiro Comando da Capital e a máfia italiana ‘Ndrangheta, considerada uma das mais poderosas do mundo. A ação faz parte da nova fase da Operação Mafiusi, que investiga lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas em larga escala.

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Curitiba, Maringá, São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Ribeirão Pires, Peruíbe e Jardinópolis, sob autorização da 23ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo a PF, os principais alvos integravam o núcleo financeiro da organização criminosa, responsável por movimentar e lavar o dinheiro do tráfico internacional. A estrutura contava com empresas de fachada, laranjas e fintechs, usadas para movimentar quantias milionárias por meio de transações de câmbio paralelo (“dólar-cabo”) e notas fiscais frias. (…)

Conexão Brasil–Itália – A investigação internacional, coordenada entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público de Turim, identificou que o grupo usava navios cargueiros e aeronaves privadas para enviar cocaína da América do Sul à Europa.

A droga saía principalmente do porto de Paranaguá , escondida em contêineres com cerâmica, madeira ou louça sanitária, e tinha como destino final o porto de Valência, na Espanha. Outras remessas seguiam em aviões particulares para a Bélgica, onde os italianos garantiam a retirada da carga antes da fiscalização alfandegária. Entre 2018 e 2022, a organização movimentou mais de R$ 2 bilhões, segundo estimativas da PF.

Os criminosos utilizavam empresas de fachada, transferências fracionadas e contratos falsos de locação de máquinas e veículos para dar aparência de legalidade ao dinheiro sujo. Três alvos foram presos preventivamente nesta quinta, e novas diligências serão realizadas nos próximos dias. Segundo a PF, o objetivo é descobrir o destino dos lucros obtidos com o tráfico e recuperar ativos ocultos em empresas e investimentos no exterior. Leia mais.

Foto: PF