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Polêmicas de uma cidade árvore

Corte de uma mangueira em canteiro central faz protetores de árvores lembrarem de uma legislação que impede plantio de certas espécies frutíferas apenas nas calçadas

O corte de árvores na cidade aumentou visivelmente, o pessoal tem trabalhado. Para se cortar uma árvore do passeio público é preciso que ela tenha laudo – e esta sempre é a questão do maringaense, a maioria preocupada em mantê-la com mais árvores para garantir graus Celsius a menos.

Esta semana, por exemplo, foram cortadas duas árvores secas na rua Pandiá Calógeras, cujo protocolo estava na fila havia 4 anos, e uma terceira, defronte a residência da secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Olga Agulhon. Por fora, a árvore estava verde, mas por dentro estava oca. O trabalho foi elogiado por toda a vizinhança.

Ontem, na esquina da avenida das Palmeiras com a rua Professora Letícia de Paula Molinari, foram cortadas quatro árvores, duas em cada via. O pessoal, obviamente, levantou a questão do laudo – que, cá entre nós, situação que poderia ser antecipadamente informada aos moradores com uma simples placa na árvore, como acontece em Brasília, uma ideia que a administração anterior não se preocupou em 8 anos. Como se sabe, o maringaense é antes de tudo um protetor de árvores.

No local acima citado havia prédios comerciais que foram derrubados e o terreno está limpo, sendo usado parcialmente aos domingos por vendedores de produtos caseiros. O que será construído ali ninguém sabe, mas todos se preocuparam com as árvores na calçada – eram sete. Em setembro do ano passado um aviso de preocupação foi publicado aqui. Ontem quatro vieram abaixo. Falta conferir se uma espécie de pau-brasil ainda permanece ali. Como se sabe, cortar pau-brasil é crime – embora um exemplar tenha “sumido” defronte as sedes do Executivo, Judiciário e Ministério Público, onde hoje se diz construir o eixo monumental.

O local, em setembro do ano passado


Também ontem foi cortado pela prefeitura um bonito pé de manga no canteiro central da avenida Américo Belay. Embora haja lei a respeito (na verdade, leis conflitantes), para proteger patrimônio e transeuntes, aquele é um dos maiores canteiros centrais da cidade, e as poucas pessoas que passam por ali é para atravessar as pistas. Mobilizou-se, porém, toda uma estrutura para tirar a mangueira dali. E a reclamação: a máquina administrativa gasta para erradicar um pé de manga em local ermo ao invés de priorizar as árvores condenadas que estão caindo direto pela cidade.

A legislação em vigor inclui a lei 1.642, de 1983, da gestão Said Ferreira, que autoriza o município a plantar árvores frutíferas e nativas, intercaladas, em todos os logradouros públicos e áreas de fundo de cale, “onde não foi executado ainda o plano de obras referente à arborização”. Hoje a legislação, inclusive com as espécies que podem ser plantadas, está a cargo do Instituto Ambiental de Maringá, que disponibiliza em seu site.

A mesma lei determina que os moradores, mediante orientação da prefeitura, deverão zelar pelas árvores frutíferas, “evitando toda sorte de abuso e depredações, e proceder, na época adequada, a colheita de frutos”.

Uma outra lei, em vigor desde abril de 2008, foi assinada pelo então prefeito Carlos Roberto Pupin, hoje 2º vice-presidente da Sociedade Rural de Maringá – que tem sido alvo de críticas pelo corte de árvores exóticas. A lei 7.942, resultado de projeto do vereador Mario Hossokawa (PP), proíbe “na faixa de passeio público” (ou seja, somente na calçada) o plantio de mangueiras, jaqueiras, abacateiros, coqueiros e de outras espécies frutíuferas, “que possam causar danos ao patrimônio particular ou aos transeuntes”.

A lei também diz que a erradicação e substituição das árvores frutíferas destas espécies já plantadas no passeio público será feita pelo município. Em 2008, final da primeira gestão de Silvio Barros II (PP), a lei 7.942, de Marcia Socreppa e Hossokawa, autoriza o município a plantar árvores frutíferas nos fundos de vale. Já a lei 3.178, de Maria Jacira em 1992, autoriza o município a doar mudas de árvores frutíferas, para quem possui um imóvel.

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