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Casa de oração

Vereador precisa se informar das leis que os homens, em especial os eleitos para legislar, devem seguir

Eleito pela Igreja Universal do Reino de Deus, o vereador Guilherme Machado (PL) promoveu recentemente uma homenagem aos obreiros’ daquela organização religiosa. Muitos encararam o evento como um culto.

Dias atrás ele solicitou espaço público da Câmara, onde assumiu por ser suplente do Delegado Luiz Alves, para a realização de um culto propriamente dito. Mostrou que não tem conhecimento de como funciona o poder por onde disputou uma cadeira e onde se destaca por bizarrices na internet – inocentes, dizem -, como aquela em que deita sobre o asfalto de um buraco que foi tampado pela prefeitura (foto acima).

Machado esqueceu de seu a legislação da Câmara e existe a portaria 325/2017 que disciplina a utilização do Plenário Ulisses Bruder (às segundas, quartas e sextas) e do Plenarinho, (de segunda a seta), sempre das 8h às 22h. Aos sábados, domingos e feriados não será permitido o empréstimo, salvo em caráter excepcional.

O artigo que o vereador do PL quer infringir é o quinto, que estabelece que “não será permitida a utilização dos espaços públicos para: a) eventos religiosos, recreativos ou particulares (aniversários, casamentos, batizados, treinamentos); b) atividades que tenham conteúdo preconceituoso ou discriminatório ou façam apologia ao uso de drogas ilícitas, incitem a violência e a intolerância ou possam causar impactos negativos à saúde, integridade física ou psicológica das pessoas e do meio ambiente”.

Alguém, portanto, precisa avisar o vereador que ele não pode usar as instalações públicas (construídas e mantidas pelo contribuinte, de diferentes crenças religiosas) como uma extensão da igreja à qual pertence. Há quem defenda que ele se dedique somente às causas religiosas, deixando sua cadeira ser ocupada por quem quer legislar.

PS – Guilherme Machado não é o único a ignorar o papel de um poder da importância do Legislativo. Recentemente foi aprovada a criação de uma Medalha do Mérito Religioso. A casa, que era para ser de leis, já pode ser chamada de centro espiritual.

Foto: Reprodução/Instagram

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