Atual presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá pode disputar cadeira de deputado estadual. Hoje praticamente um trampolim político, desde os anos 1970 não se via a entidade tão dividida
Trecho do comentário de Joel Cavalcante Junior hoje na CBN, tratando sobre a relação entre o associativismo, as instituições da sociedade civil e o poder político local em Maringá:
“Outra instituição que denota essa interface entre o associativismo e o poder é o caso da sociedade, da Associação Comercial Industrial de Maringá, a Acim. Segundo algumas fontes que revelaram aqui para a coluna, nós tivemos acesso a um suposto racha interno dentro da instituição. O conselho de dirigentes da instituição de 2025/2026 é presidida pelo famoso, o empresário conhecido, professor José Carlos Barbieri, que tem ali uma pretensão, segundo essa fonte, de disputar o cargo para deputado estadual. O professor Barbieri, ele é bem influente em temas políticos, em questões sociais, tá sempre debatendo a cidade nos espaços públicos e teria ali a Acim como um trampolim político, o que não tira nenhuma legitimidade da sua atuação enquanto conselho dirigente máximo da instituição.
Há inclusive, segundo essas fontes, um racha entre a diretoria e a vice-diretoria, ali capitaneada pela Mohamad Ali Awada, que, segundo essas fontes, o Professor Barbieri estaria indicando a segunda vice-diretoria. Ou seja, muitos embates internos dentro da Associação Comercial Industrial de Maringá. Tem também um outro personagem importante que é o Wilson Filho, que integra uma comissão de educação e tem ali também a sua filiação ao Podemos, toda a sua participação na gestão municipal, inclusive com indicações de secretarias. Então, toda essa correlação de forças entre sociedade civil organizada e o bastidor real, concreto da política, ele deve ser bem analisado. Eu acho que se discute pouco essa relação, essa interface na cidade.
Sabemos da influência, mas não sabemos exatamente o quanto esses bastidores são mexidos e o quanto da correlação partidária influencia nessas disputas internas dessas instituições. Antônio Gramsci, que é um grande intelectual de esquerda, mas que fez uma grande ciência política que pode ser aplicada a todas as esferas do poder, observa que para a conquista da hegemonia política, você tem que conquistar primeiro a sociedade civil. A disputa se dá pela cultura, por vários agentes de formação da sociedade civil para depois você ter a conquista do poder hegemonicamente. Isso se aplica em Maringá, isso se aplica nesse discurso tão evocado que a sociedade civil de Maringá é uma das grandes responsáveis pela pujança, pelo sucesso, pela riqueza da nossa cidade.
É um setor de fato a ser analisado pelos cientistas políticos e pelos observadores políticos locais. A eleição da Sociedade Rural demonstrou isso. Certamente as disputas na Sociedade, na Associação Comercial Industrial de Maringá, sobretudo na eleição do ano que vem, que vai eleger o novo conselho dirigente, e os seus tentáculos com a política local são demarcadores dessa relação íntima que deve ser bem analisada pelos analistas e cientistas políticos locais”.
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