‘Moro me pegou pelo pescoço e me ameaçou’

Até agora o ex-juiz federal não se manifestou a respeito da denúncia de ex-juíza

O maringaense Sergio Moro (União), pelo jeito, continuará muito tempo sob holofotes. No final de semana o site Brasil 247 entrevistou a ex-juíza federal Luciana Bauer, que atuava como plantonista na Justiça Federal de Curitiba durante a Operação Lava Jato. Ela diz que Moro lhe agarrou pelo pescoço.

Em 2015, Bauer concedeu um habeas corpus para soltar Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, em cumprimento a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça. Ao verificar o cumprimento do HC na 13ª Vara Federal — então sob comando de Sergio Moro —, ela alega ter descoberto que o documento foi “escondido” no sistema eletrônico, impedindo a liberação imediata de Duque.S

Segundo o depoimento de Bauer, prestado em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho na TV 247 (divulgada na sexta-feira) e em outra ao jornalista Luís Nassif (em abril), o confronto escalou em um elevador reservado a magistrados no fórum de Curitiba. Ela descreve que, assim que as portas se fecharam, Moro a agarrou pelo pescoço com uma mão, como se fosse enforcá-la, e repetiu: “Fica quieta, fica quieta, entendeu?”.

Bauer, que na época amamentava um filho recém-nascido, afirma ter entrado em choque, com o leite secando devido ao estresse, e optado por não denunciar imediatamente por medo de retaliações. Ela relata ter mudado de residência, trocado de veículo e comprado um carro blindado, além de receber vigilância de carros da Polícia Federal em frente à sua casa. Bauer também acusa o ambiente da 13ª Vara de operar como uma “quadrilha”, com práticas de ocultação de documentos, desrespeito a decisões superiores e uso da Justiça para fins políticos.

Denúncias dela à Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região teriam sido ignoradas. Ela só teria relatado o incidente diretamente ao ministro Teori Zavascki (relator da Lava Jato no STF), que morreu em um acidente aéreo em janeiro de 2016 — cerca de um mês após o episódio. A denúncia, embora tardia (10 anos após o fato), pode ser apurada pelo Conselho Nacional de Justiça ou pelo Ministério Público Federal, especialmente por envolver violência de gênero e abuso de autoridade em contexto judicial. Relatórios do CNJ de 2023 já investigaram Moro por gestão caótica na Lava Jato, mas sem menção a esse incidente.

Bauer se descreve como “vítima de lawfare” e vive nos EUA desde que deixou a magistratura. O caso reforça críticas à Lava Jato, anulada em parte pelo STF em 2021 por parcialidade, e ecoa acusações de intimidação contra Moro, como delações questionadas e diálogos vazados em 2019.

Resposta – Até agora Sergio Moro não respondeu publicamente à acusação específica de agressão física. Em buscas gerais na web e no X, não há registros de nota oficial, entrevista ou declaração negando ou contextualizando o episódio. Moro tem histórico de rebater críticas à Lava Jato em postagens genéricas, mas nada direcionado a esse caso. Confira a entrevista abaixo:

Foto: Reprodução